As duas maiores empresas de recursos naturais do país chegam à semana da eleição com decisões que dificilmente se explicam só pela lógica de mercado. Na Vale, um IPO engavetado e uma mina reaberta sob supervisão judicial. Na Petrobras, um contrato de gás de 22 anos e a recusa em socorrer sozinha a Braskem. Em comum, a mesma pergunta que estará nas urnas no domingo: quem deve controlar os ativos estratégicos do Brasil?
O sinal mais claro veio da Vale. A mineradora suspendeu os planos de abrir o capital da Vale Base Metals, sua subsidiária de minerais críticos, diante da oposição política no Brasil à possibilidade de perder o controle sobre ativos considerados estratégicos. A unidade reúne cobre e níquel, metais centrais para a transição energética, e inclui o complexo de Salobo, dono da maior reserva de cobre do país. O recuo acontece no mesmo momento em que o Congresso avança no tema: o Senado aprovou um marco regulatório para minerais críticos e terras raras, e a Amazônia Legal vive um boom de pedidos de mineração desses insumos.
Em Minas Gerais, a Vale também retomou parcialmente as operações da Mina de Fábrica, entre Congonhas e Ouro Preto, parada desde o início do ano após o transbordamento de uma cava. A empresa afirma que a volta não altera suas projeções de produção. A pressão regulatória, porém, continua: um procurador federal entrou com ação civil pública contra a Vale, a Agência Nacional de Mineração e o governo mineiro por causa de outro transbordamento, na Mina de Viga. No Pará, a companhia acertou a compra de 30% da Ligga por US$ 190 milhões, com contrato de exclusividade sobre todo o minério produzido pela mina Ferro Sul.
Na Petrobras, a semana foi de contratos internacionais. A estatal fechou com a americana Cheniere um acordo para comprar cerca de 0,8 milhão de toneladas de gás natural liquefeito por ano durante 22 anos. Em paralelo, a empresa vem ampliando sua presença na África, com contratos na Costa do Marfim e cooperação com Moçambique.
O tema mais sensível, no entanto, é a Braskem. Segundo o noticiário recente, a Petrobras se recusa a fazer uma injeção de capital isolada na petroquímica, enquanto credores pressionam por bilhões. A presidência da estatal afirmou que estatizar a Braskem não está nos planos. A conta deve ficar para o próximo governo, seja ele qual for.
O mercado já precifica a incerteza. O Copom cortou a Selic para 13,75%, mas citou explicitamente a incerteza eleitoral ao frear as expectativas de novos cortes. Para Vale e Petrobras, o resultado de outubro vai definir se a tendência é de mais Estado ou de mais mercado no setor de recursos naturais. Leia mais na editoria de Negócios da LatAm Reports.
