Comprovado em exame, pet Azeitona agonizou por mais de 10 horas em clínica veterinária de Campo Grande

O que aconteceu nas últimas 10 horas de vida de Azeitona, um poodle de 10 anos tratado como membro da família por seus tutores, é a pergunta que permanece sem resposta definitiva.

O cachorro deu entrada em uma clínica veterinária de Campo Grande após apresentar sintomas de gripe. Menos de 48 horas depois, morreu.

Agora, o caso ultrapassou os limites do luto familiar e passou a ser analisado pela Justiça e pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul (CRMV-MS), que determinou a instauração de um processo ético-profissional para apurar a conduta envolvida no atendimento.

Para os tutores, a dor da perda veio acompanhada por um sentimento ainda mais difícil de processar: a percepção de que o sofrimento de Azeitona pode ter sido muito maior do que imaginavam.

Documentos anexados aos autos descrevem uma piora respiratória progressiva durante a internação. Exames e pareceres técnicos produzidos após o óbito apontam que o animal permaneceu por horas em um quadro grave de comprometimento respiratório, apresentando alterações compatíveis com dificuldade severa de oxigenação.

As conclusões dos especialistas fazem parte do conjunto de documentos que hoje embasam tanto a ação judicial quanto a investigação ética em andamento.

Segundo os autos, a família buscou atendimento acreditando estar diante de um problema tratável. O que encontrou, porém, foi uma sucessão de acontecimentos que terminou na morte do animal menos de dois dias após sua entrada na clínica.

Os documentos apontam que, enquanto o quadro clínico se agravava, os tutores continuavam recebendo informações que, segundo alegam, não refletiam a real gravidade da situação.

O momento mais dramático ocorreu durante a madrugada de 21 de agosto.

Conforme relatado nos autos, ao chegar à clínica para acompanhar a transferência de Azeitona para uma unidade com suporte intensivo, o tutor encontrou o cão em intenso sofrimento respiratório. O relato descreve um animal com extrema dificuldade para respirar, apresentando cianose, espasmos e taquirespiratório enquanto aguardava a remoção para outro estabelecimento, mesmo com a médica informando aos tutores, de maneira leviana, de que nao havia vaga em nenhuma outra unidade. 

Segundo relato dos tutores, porém, ao ligar para a mesma clínica de unidade intensiva (antes informado que estava lotada pelos médicos locais), foi descoberto que havia sim vaga para seu querido animal, Azeitona. 

A cena descrita nos documentos se tornou um dos principais pontos de questionamento do caso. O caso ganhou novo peso quando o CRMV-MS analisou a documentação apresentada pelos tutores.

Em parecer oficial, a Comissão de Admissibilidade entendeu que existiam elementos suficientes para justificar a abertura de processo ético-profissional, mencionando indícios que merecem investigação aprofundada pelas instâncias competentes.

A abertura do procedimento não representa condenação nem antecipação de culpa. Significa, porém, que os fatos apresentados, os exames produzidos e a documentação reunida foram considerados relevantes o suficiente para justificar uma apuração formal.

Mas, para quem observa a história de fora, um ponto chama atenção.

A discussão não gira em torno de uma cirurgia de alta complexidade ou de um procedimento de risco previamente conhecido.

Azeitona foi levado à clínica porque precisava de ajuda para um resfriado.

E voltou para casa morto.

Hoje, a análise dos fatos envolve laudos, prontuários, exames laboratoriais, pareceres técnicos e depoimentos que buscam reconstruir as últimas horas de vida do animal.

Para os tutores, porém, a questão continua sendo muito mais simples, e agora caberá à Justiça e aos órgãos de fiscalização analisar responsabilidades e circunstâncias do caso.

Enquanto isso, a história de Azeitona ultrapassa os limites de um processo judicial e passa a levantar uma discussão que interessa a milhares de famílias brasileiras: o que acontece quando a confiança depositada em um atendimento veterinário termina em luto?