Ibovespa dispara quase 10%, bate recorde histórico e dólar cai abaixo de R$ 5 após o 1º turno

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By LatAm Reports Staff Writers

Liderança de Flávio Bolsonaro desencadeia o maior rali da bolsa em anos; investidores apostam em ajuste fiscal, mas segundo turno indefinido mantém o risco no radar

O mercado financeiro brasileiro viveu nesta segunda-feira (5) um dia de euforia. Na primeira sessão após o primeiro turno da eleição presidencial, o Ibovespa chegou a subir mais de 9% e atingiu a máxima intradiária de 209.605 pontos, o maior patamar de sua história. O dólar, por sua vez, despencou mais de 4% e passou a ser negociado na casa de R$ 4,98, abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde 18 de maio.

O movimento é uma resposta direta ao resultado das urnas. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou a disputa de domingo à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As pesquisas da véspera indicavam o contrário: uma vantagem apertada do petista.

Do “Flávio Day” à máxima histórica

O rali começou ainda na noite de domingo. O EWZ, fundo negociado em Nova York que replica as ações brasileiras em dólar, avançava 8,72% por volta das 21h48, cotado a US$ 41,52. Antes mesmo da abertura da B3, o Ibovespa futuro já subia mais de 9%, alcançando a região dos 211 mil pontos.

No pregão regular, a alta foi generalizada. Por volta das 10h45, o índice avançava 8,67%, aos 208.767 pontos, com praticamente todos os papéis da carteira no terreno positivo. Para efeito de comparação, na sexta-feira (2), última sessão antes da votação, o Ibovespa havia fechado aos 192.114 pontos, depois de subir 2,63%, e o dólar terminara praticamente estável, a R$ 5,216.

Os maiores ganhos se concentraram em empresas mais sensíveis ao ciclo de juros e ao humor dos investidores. Ações da B3 e da XP dispararam mais de 20%, enquanto os grandes bancos subiram mais de 10%. Em Nova York, Nubank e Inter também avançaram mais de 10%, e a Petrobras, que já acumulava valorização expressiva no ano — e que, ao lado da Vale, chegou à semana da eleição no centro do debate político —, registrou alta relevante.

O mercado de juros acompanhou o movimento. As taxas dos contratos de DI de prazo mais longo recuaram mais de 135 pontos-base, sinal de que os investidores passaram a precificar um cenário de juros mais baixos à frente. Na última reunião, o Copom havia cortado a Selic para 13,75%, mas citou a incerteza eleitoral para frear as expectativas de novos cortes.

A aposta do mercado

A leitura predominante entre os agentes financeiros é que uma eventual vitória de Flávio aumentaria as chances de um ajuste nas contas públicas, abrindo espaço para a queda da taxa básica de juros. É a mesma lógica que vem guiando os preços nas últimas semanas, mas que ganhou força com a surpresa das urnas. O tema fiscal já estava no centro das atenções desde que o governo enviou ao Congresso o Orçamento de 2027 com superávit modesto.

Para o economista-chefe da Nomos, Beto Saadia, o volume de votos brancos e nulos foi parecido com o de 2022. Na avaliação dele, a vantagem do senador pode refletir um antipetismo de última hora, com eleitores que antes declaravam voto em Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) migrando para o candidato do PL.

Cautela até 25 de outubro

Apesar da euforia, gestores lembram que a eleição não está decidida. A diferença entre os dois candidatos foi de pouco mais de dois pontos percentuais, e o segundo turno, marcado para 25 de outubro, deve ser acirrado. Nesse ambiente, analistas esperam volatilidade elevada nas próximas semanas, com o mercado reagindo a cada nova pesquisa de intenção de voto, a declarações de apoio e às sinalizações das duas campanhas sobre política fiscal e equipe econômica.

O desempenho desta segunda-feira mostra, de qualquer forma, o peso que o calendário eleitoral passou a ter sobre os ativos brasileiros — e o quanto os investidores estão dispostos a se antecipar ao resultado final. Mais análises na editoria de Negócios da LatAm Reports.