Quatro dias depois da virada sobre Flávio Bolsonaro (PL), o quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a tomar forma nos bastidores, mas ainda sem nenhum nome confirmado. A principal disputa está no Ministério da Fazenda, onde o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), aparece à frente, seguido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pelo atual ministro, Dario Durigan.
Fonteles ganhou força depois de integrar o núcleo que reorganizou a campanha no segundo turno. Reeleito no Piauí com 70,90% dos votos já no primeiro turno, ele tem formação em matemática pelo Impa, foi secretário da Fazenda do estado e presidiu o Comsefaz, comitê que reúne os secretários estaduais da área. Para assumir o ministério, porém, teria de abrir mão do segundo mandato, que começa em 6 de janeiro.
Alckmin, que comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no terceiro mandato e ganhou destaque nas negociações com os Estados Unidos pelo fim do tarifaço, é visto como o nome mais palatável para o mercado. Ele também é cotado para voltar ao MDIC, pasta que deixou em abril para a campanha.
Um dos nomes especulados saiu da lista nesta terça-feira (27). O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, descartou assumir a Fazenda e disse que pretende cumprir o mandato no BC até dezembro de 2028. No mesmo dia, Durigan afirmou que Lula ainda não discutiu a composição da equipe econômica.
A escolha virou o principal teste de credibilidade do novo mandato. Na segunda-feira (26), o mercado reagiu à reeleição com queda de quase 14% no Ibovespa, acionamento do circuit breaker e alta de mais de 8% do dólar, num movimento que analistas atribuíram à incerteza sobre a política fiscal. O presidente do PT, Edinho Silva, disse que o ministro será anunciado até o fim do ano e que a meta fiscal será mantida.
Para a Casa Civil, o senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana é o mais cotado, segundo a Band. O ex-ministro Fernando Haddad, derrotado por Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo de São Paulo, também pode voltar, seja na Casa Civil ou na própria Fazenda. O deputado André Janones, responsável pela mobilização digital da campanha no segundo turno, é cotado para a Secretaria-Geral da Presidência. Outros aliados que perderam eleições neste ano, como Gleisi Hoffmann, Simone Tebet e Marina Silva, também estão no radar.
Lula terá ainda de negociar com um Senado em que a oposição sai fortalecida. A Casa precisará aprovar ao menos três indicações do presidente ao Supremo Tribunal Federal no próximo mandato. A posse está marcada para 1º de janeiro de 2027.
