Senador do PL termina à frente com 47% dos votos válidos, contrariando pesquisas que apontavam vantagem do presidente; os dois voltam às urnas em três semanas
O Brasil terá segundo turno na eleição presidencial de 2026, e com um roteiro que poucos institutos de pesquisa previram. O senador Flávio Bolsonaro (PL) encerrou a apuração do primeiro turno, neste domingo (4), na liderança, com 56.104.503 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, ficou em segundo lugar, com 53.879.538 votos, ou 45,16%. A nova rodada de votação está marcada para 25 de outubro.
A diferença de cerca de 2,2 milhões de votos inverte o cenário desenhado pelas pesquisas na véspera. No sábado (3), o agregador Carta/Colectta registrava Lula com 41,1% das intenções de voto, contra 37,9% do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os principais institutos apontavam uma disputa apertada, dentro da margem de erro, mas com o petista numericamente à frente.
A noite de apuração reforçou a surpresa. Flávio liderou a contagem do início ao fim e, com menos da metade das seções totalizadas, chegou a superar a marca de 51% dos votos válidos, o que por algumas horas sugeriu uma vitória já no primeiro turno. A vantagem foi diminuindo à medida que entravam os votos de regiões onde Lula é tradicionalmente mais forte, e a realização do segundo turno foi confirmada pouco antes das 21h, com cerca de 97% das seções apuradas.
No mapa eleitoral, o candidato do PL venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula ficou à frente em 12 unidades da Federação.
Terceira via encolhida
Os demais candidatos somaram juntos cerca de 7,8% dos votos válidos — um contingente pequeno, mas potencialmente decisivo em uma disputa tão equilibrada. O psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro lugar, com 2,89%. Renan Santos, do partido Missão, teve 2,24%, e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) terminou com 2,19%.
A ausência de nomes competitivos de centro-esquerda no primeiro turno é apontada por analistas como um obstáculo adicional para o presidente, que terá pouco espaço para buscar apoios fora de seu próprio campo. Para Flávio, o desafio é inverso: consolidar o eleitorado de direita e centro-direita disperso entre Cury, Santos e Caiado sem afastar o eleitor moderado.
Campanha dominada pelo STF
A reta final do primeiro turno foi marcada por uma crise de grandes proporções no Supremo Tribunal Federal, que acabou ocupando boa parte do debate eleitoral. Segundo analistas, o episódio dificultou a estratégia da campanha petista de concentrar a artilharia nos questionamentos à trajetória política de Flávio.
A chapa do PL tem como candidato a vice o deputado Alfredo Gaspar. Lula repete a dobradinha com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Justiça Eleitoral prepara a nova etapa
Ao encerrar a apuração, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que uma eleição só se completa quando a vontade do eleitorado é conhecida e respeitada. Ele disse que a Justiça Eleitoral passa agora a se dedicar à organização do segundo turno, com a expectativa de repetir a normalidade observada no domingo.
Nas próximas três semanas, as campanhas devem intensificar a disputa por alianças, pelo voto dos eleitores que escolheram outros candidatos e, sobretudo, pela mobilização de quem se absteve. Debates na televisão e o horário eleitoral gratuito, que recomeça nos próximos dias, devem ser os principais palcos de uma corrida que, pelos números do primeiro turno, segue completamente aberta.
