Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República no domingo (25) com uma virada que não tem precedentes desde a redemocratização. O petista somou 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Foi a primeira vez que um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar saiu vencedor da disputa final, segundo o registro da eleição na Wikipédia.
A virada parecia improvável há três semanas. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio surpreendeu as pesquisas e terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos, conforme a totalização do TSE. A primeira pesquisa Datafolha do segundo turno chegou a apontar Flávio com 52% dos votos válidos. O petista, porém, acrescentou mais de 10 milhões de votos entre um turno e outro e terminou cerca de 4,4 milhões à frente do adversário.
Os números renderam uma coleção de marcas. Lula se torna o único presidente eleito quatro vezes pelo voto direto, depois das vitórias de 2002, 2006 e 2022, e bateu o próprio recorde de votos, que era de pouco mais de 60,3 milhões em 2022, como detalhou o O Povo. Ao fim do novo mandato, em 2030, terá somado 16 anos no Planalto.
No discurso da vitória, Lula disse que ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas que ele governará para todos e com respeito à Constituição. Também mandou um recado às grandes empresas de tecnologia, defendeu regulá-las e prometeu apostar no desenvolvimento de uma inteligência artificial brasileira, segundo a cobertura do Terra.
O desafio do quarto mandato será o Congresso. O PL de Flávio sai das urnas fortalecido no Legislativo, e Lula já sinalizou que a relação com deputados e senadores será um dos eixos do novo governo. Para Flávio, a derrota tem um custo pessoal: como abriu mão de disputar a reeleição ao Senado, ele ficará sem mandato e sem foro privilegiado pela primeira vez em 24 anos.
A posse está marcada para 1º de janeiro de 2027. Até lá, as atenções se voltam para a montagem do ministério e para as negociações com um Congresso mais à direita. Acompanhe a cobertura na editoria de Política da LatAm Reports.
