PF detalha suspeitas contra Jaques Wagner em investigação sobre Banco Master

A Polícia Federal detalhou as principais suspeitas que embasaram a operação realizada contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro ligado ao Banco Master.

A investigação aponta que o parlamentar teria recebido vantagens indevidas em troca de atuar em pautas de interesse do grupo financeiro. Jaques Wagner nega irregularidades e afirma que os valores encontrados têm origem legal.

O que a PF investiga

Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores apuram quatro principais frentes de supostos benefícios recebidos pelo senador:

  • um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em mais de R$ 2,4 milhões;
  • repasses de aproximadamente R$ 3,5 milhões por meio de empresas ligadas ao seu núcleo familiar;
  • viagens em aeronaves particulares disponibilizadas pelo empresário Augusto Lima;
  • ingressos para shows, incluindo apresentações da cantora Taylor Swift.

A Polícia Federal afirma que essas vantagens teriam sido oferecidas em troca de apoio político a propostas de interesse do Banco Master, como mudanças relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ao crédito consignado e à chamada “Emenda Master”.

Repasses e imóvel de luxo

De acordo com a investigação, os R$ 3,5 milhões não teriam sido pagos diretamente ao senador, mas transferidos para uma empresa vinculada ao seu núcleo familiar.

A PF também investiga a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador, cuja compra teria sido realizada por uma empresa ligada ao grupo financeiro investigado.

Viagens e ingressos

Os investigadores apontam ainda que Augusto Lima teria colocado aeronaves particulares à disposição de Jaques Wagner para viagens pessoais.

A decisão também cita a compra de ingressos para apresentações da turnê “The Eras Tour”, da cantora Taylor Swift, avaliados em mais de R$ 63 mil e destinados a familiares do senador.

O que diz Jaques Wagner

Após a operação, Jaques Wagner negou qualquer relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Sobre os US$ 49 mil apreendidos durante as buscas, o senador afirmou que os recursos são provenientes de diárias oficiais recebidas do Senado para viagens internacionais e da compra regular de moeda estrangeira por meio de instituição bancária.

O parlamentar também informou que recebeu um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que manifestou solidariedade após a operação.

A Operação Compliance Zero segue em andamento. Até o momento, não há condenações relacionadas aos fatos investigados, e todos os citados negam qualquer irregularidade.