Novo oficializa Romeu Zema como candidato à Presidência e reforça apelo liberal em meio à polarização

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By LatAm Reports Staff Writers

O Partido Novo realiza nesta segunda-feira (27) sua convenção nacional no auditório do Edifício Íon, em Brasília, para oficializar a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República nas eleições de 2026. O evento, em formato híbrido, conta com a presença presencial de Zema e do presidente nacional da legenda, Eduardo Ribeiro, enquanto outros dirigentes acompanham remotamente. A definição do vice-presidente deve ocorrer até o início de agosto, segundo informações.

Romeu Zema Neto, 61 anos, natural de Araxá (MG), é administrador formado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e bisneto de Domingos Zema, fundador do Grupo Zema, conglomerado que atua em varejo, combustíveis, concessionárias e serviços financeiros. Ele administrou o grupo familiar a partir de 1991 até ingressar na política. Filado ao Novo desde 2018, Zema estreou na vida pública naquele ano e foi eleito governador de Minas Gerais sem experiência prévia em cargos eletivos, derrotando nomes tradicionais como Fernando Pimentel (PT) e Antonio Anastasia (PSDB). Foi reeleito em 2022 e renunciou ao cargo em março de 2026 para se dedicar à disputa presidencial, sendo sucedido pelo então vice Mateus Simões (PSD).

Durante seus mandatos em Minas Gerais, Zema priorizou o ajuste das contas públicas, a redução de despesas, o enxugamento da máquina administrativa e a defesa de privatizações. O governo estadual destacou a conquista de superávits fiscais consecutivos e a atração de investimentos, com Zema afirmando ter trazido cerca de R$ 540 bilhões em investimentos e criado mais de um milhão de empregos com carteira assinada, além de registrar a menor taxa de desemprego da história do estado. Dados oficiais do governo mineiro apontaram equilíbrio fiscal por vários anos consecutivos. Críticos, no entanto, apontam o crescimento da dívida estadual com a União e questionam isenções fiscais concedidas durante a gestão.

O Novo, fundado em 2011 e registrado oficialmente em 2015, posiciona-se como um partido de liberalismo econômico clássico. Segundo sua própria descrição e registros públicos, a legenda defende a redução do tamanho do Estado, a preservação da moeda, o incentivo ao empreendedorismo, a concorrência e a participação cidadã, com atuação estatal concentrada em educação básica, saúde, segurança e infraestrutura. O partido historicamente rejeitou o uso de fundo partidário (embora tenha flexibilizado regras em anos recentes) e enfatiza a exigência de “ficha limpa” e o combate à corrupção. Em 2026, a legenda contabilizava mais de 80 mil filiados, com crescimento registrado em dados do TSE.

Parte do apelo do Novo junto a determinados eleitores brasileiros reside justamente nessa combinação de discurso liberal e postura “antissistema”. Em um cenário de forte polarização entre PT e PL, o partido atrai quem busca uma alternativa centrada em eficiência, redução de impostos, privatizações e menor interferência política na economia. Zema tem se apresentado como opção à bipolarização, criticando o que considera “politicagem” e defendendo, por exemplo, a transformação da Petrobras em uma “corporation” com capital diluído para diminuir a influência política sobre a estatal. Ele também propõe reformas administrativas e da Previdência, corte de supersalários no serviço público e mudanças nas regras do Supremo Tribunal Federal, incluindo critérios mais rígidos para indicação de ministros e facilitação de processos de responsabilização.

A trajetória de Zema como empresário que venceu eleições estaduais em Minas Gerais, estado decisivo no mapa eleitoral brasileiro, reforça a narrativa de gestão pragmática. O Novo, por sua vez, capitaliza o desejo de parte do eleitorado por transparência, meritocracia e combate a privilégios, especialmente entre profissionais liberais, empreendedores e eleitores com maior escolaridade – perfil que aparece com destaque entre seus filiados, conforme análises recentes. O partido se apresenta como espaço para “pessoas de bem” que nunca fizeram parte da política tradicional.

Ainda assim, a legenda enfrenta o desafio de ampliar seu alcance nacional. Nas eleições presidenciais anteriores, seus candidatos obtiveram resultados modestos, e Zema ainda aparece com percentuais baixos nas pesquisas de intenção de voto. A convenção de hoje marca a confirmação de que o Novo disputará o primeiro turno com candidatura própria, afastando, pelo menos por enquanto, alianças com outras forças de direita no início da corrida. O vice permanece indefinido, com nomes como o empresário Geraldo Rufino e o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa mencionados em conversas.

Com a oficialização, Zema e o Novo tentam consolidar um espaço no debate eleitoral de 2026: o de uma direita liberal que prioriza contas públicas equilibradas, liberdade econômica e reformas estruturais. Se conseguir transformar esse discurso em apoio popular mais amplo, o ex-governador mineiro poderá se tornar um fator relevante na polarização brasileira. Caso contrário, a legenda seguirá como uma voz minoritária, porém coerente, no espectro político nacional. A campanha oficial começa agora, com o prazo para registro de candidaturas se aproximando.