Inflação dos alimentos segue pressionando bolso dos brasileiros; batata dispara quase 45% em maio

Mesmo com a desaceleração da inflação em maio, os alimentos continuaram sendo um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. Dados divulgados pelo IBGE mostram que os preços da alimentação consumida dentro de casa avançaram 1,65% no mês, com destaque para fortes altas em itens básicos como batata, tomate, cebola e carnes.

O aumento dos preços ajudou a manter a inflação em patamar elevado. O grupo Alimentação e Bebidas registrou alta de 1,33% em maio e respondeu sozinho por quase metade do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país.

Batata, tomate e carnes lideram altas; café fica mais barato

O maior aumento registrado em maio foi o da batata-inglesa, que ficou 44,69% mais cara em apenas um mês. Também chamaram atenção as altas do pepino (44,3%), tomate (20,62%) e cebola (16,8%).

Segundo o IBGE, a combinação de menor oferta de alguns produtos agrícolas e o aumento dos custos de transporte, influenciado pelos combustíveis, contribuiu para a disparada dos preços.

Entre as proteínas, cortes bovinos também registraram reajustes relevantes. A picanha avançou 3,97%, enquanto o filé-mignon subiu 4,48% e a carne-seca teve aumento de 4,09%.

Na direção oposta, alguns itens apresentaram alívio para os consumidores. O café moído ficou 2,38% mais barato em maio, enquanto as frutas registraram queda média de 0,70%.

Entre os produtos com maiores recuos aparecem a abobrinha (-11,43%), laranja-lima (-9,87%), maracujá (-6,23%) e diversos tipos de pescado.

Além da alimentação, o grupo Habitação também exerceu forte pressão sobre a inflação. O principal destaque foi a energia elétrica residencial, que ficou 3,67% mais cara devido aos reajustes tarifários em diversas capitais e à vigência da bandeira amarela.

Já o grupo Saúde e Cuidados Pessoais avançou 0,90%, impulsionado principalmente pelos artigos de higiene pessoal, que registraram aumento médio de 1,95%.

Apesar da desaceleração do IPCA de 0,67% em abril para 0,58% em maio, economistas seguem atentos ao comportamento dos alimentos, que continuam sendo um dos principais desafios para o controle da inflação e para o poder de compra das famílias brasileiras.