Uma nova disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou força nesta semana e pode afetar diversos setores da economia brasileira. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação iniciada em 2025 e afirmou que determinadas políticas adotadas pelo Brasil seriam “irrazoáveis” e prejudicariam empresas norte-americanas. Como resposta, o órgão propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano.
A medida ainda não entrou em vigor. Antes de qualquer decisão definitiva, o governo dos Estados Unidos abrirá um período de consultas públicas e audiências para ouvir empresas, entidades e especialistas. O prazo legal para a definição das possíveis sanções termina em 15 de julho de 2026.
Relatório aponta divergências em áreas estratégicas
A decisão ocorre após meses de negociações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, houve conversas frequentes entre os dois países, mas ainda persistem divergências importantes em temas considerados estratégicos para a relação comercial bilateral.
Embora a proposta preveja uma tarifa ampla sobre mercadorias brasileiras, o documento também estabelece diversas exceções. Entre os produtos que ficariam isentos estão aeronaves e componentes aeronáuticos, fertilizantes, produtos farmacêuticos, terras raras, determinados químicos industriais e parte da produção agrícola brasileira.
O relatório do USTR concentra suas críticas em seis áreas principais. Uma delas envolve o ambiente digital brasileiro. O governo americano questiona decisões judiciais relacionadas às plataformas digitais e também a atuação do Banco Central no sistema Pix, alegando que o modelo favoreceria o sistema nacional em detrimento de empresas estrangeiras.
Outro ponto destacado é a política tarifária adotada pelo Brasil em acordos comerciais com países como México e Índia. Segundo Washington, esses acordos concederiam vantagens competitivas consideradas desfavoráveis aos exportadores americanos.
A questão ambiental também aparece no documento. Apesar de reconhecer a existência de legislação específica para combater o desmatamento ilegal, o relatório afirma que o Brasil não teria aplicado essas normas de forma suficientemente eficaz ao longo dos últimos anos.
Na área energética, os Estados Unidos voltaram a criticar o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro. Segundo o USTR, o tratamento tarifário dado ao combustível deixou de ser equilibrado desde 2017.
O documento ainda menciona preocupações relacionadas à proteção da propriedade intelectual, especialmente em relação à demora na concessão de patentes pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). De acordo com os americanos, alguns processos podem ultrapassar nove anos de tramitação.
Por fim, a investigação também aborda o combate à corrupção. O relatório cita decisões envolvendo a Operação Lava Jato e indicadores internacionais de percepção de corrupção para justificar parte das críticas feitas ao Brasil.
Nos próximos dias, representantes do setor produtivo, especialistas e autoridades dos dois países deverão intensificar as negociações para tentar evitar uma escalada comercial. Caso a tarifa seja confirmada, exportadores brasileiros poderão enfrentar um ambiente mais desafiador em um dos mercados mais importantes para as vendas externas do país.
