Vale registra queda de 43% no lucro do segundo trimestre, pressionada por custos e câmbio

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By LatAm Reports Staff Writers

A Vale anunciou nesta quinta-feira (30 de julho de 2026) que seu lucro líquido caiu 43% no segundo trimestre, para R$ 6,84 bilhões. O resultado, referente ao período de abril a junho, foi impactado principalmente pelo aumento dos custos de produção e pela valorização do real frente ao dólar, que reduz o valor das receitas quando convertidas para a moeda brasileira.

A mineradora, uma das maiores produtoras de minério de ferro do mundo, informou que a receita líquida avançou 6% na comparação anual, alcançando R$ 53 bilhões. Já o EBITDA ajustado recuou 3%, para R$ 18,5 bilhões. Apesar da retração no lucro, a companhia destacou a resiliência operacional e anunciou a distribuição de R$ 8,64 bilhões aos acionistas, a ser paga em setembro por meio de dividendos e juros sobre capital próprio. Além disso, aprovou um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, equivalente a cerca de 2,3% do capital social, com prazo de 18 meses.

Os custos do minério de ferro, principal produto da Vale, subiram de forma significativa. O custo caixa C1 (da mina ao porto) chegou a US$ 24,1 por tonelada, alta de 9% em relação ao segundo trimestre de 2025. O custo all-in, que inclui frete, despesas, royalties e prêmios, avançou 18%, para US$ 61,6 por tonelada. A empresa atribuiu o aumento à valorização do real e, principalmente, à alta dos preços do combustível marítimo, influenciada pelas tensões no Oriente Médio.

Diante desse cenário, a Vale revisou para cima suas projeções de custos para 2026. O custo caixa C1 do minério de ferro agora é estimado entre US$ 22,5 e US$ 23,5 por tonelada, ante a faixa anterior de US$ 20 a US$ 21,5. O custo all-in deve ficar entre US$ 58 e US$ 62 por tonelada, acima da expectativa prévia de US$ 52 a US$ 56. Por outro lado, a companhia melhorou as estimativas para cobre e níquel. A produção de cobre foi ajustada para 360 mil a 380 mil toneladas (antes 350 mil a 380 mil), e a de níquel para 185 mil a 200 mil toneladas (antes 175 mil a 200 mil). Os custos all-in desses metais também foram reduzidos.

O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, classificou os resultados como “sólidos”. Segundo ele, a produção de minério de ferro no segundo trimestre foi a mais alta desde 2018, enquanto o cobre registrou o melhor desempenho para o período em nove anos. “Nosso forte EBITDA e a geração de caixa demonstram a força e a resiliência da Vale em um ambiente global dinâmico, sustentados pela alta qualidade de nossos ativos e pelo compromisso contínuo com a excelência operacional e a eficiência”, afirmou o executivo no relatório de resultados.

A dívida líquida expandida da companhia, que inclui compromissos relacionados aos programas de reparação de Brumadinho e Mariana, ficou em US$ 16,6 bilhões. As obras de reparação em Brumadinho alcançaram 83% de conclusão, enquanto o programa de Mariana já havia desembolsado R$ 82,4 bilhões até 30 de junho.

O desempenho da Vale ocorre em um momento de volatilidade nos mercados de commodities. A demanda chinesa por minério de ferro permanece um fator-chave, e os preços internacionais têm oscilado diante das incertezas geopolíticas e do crescimento econômico global. Analistas observam que, apesar da queda no lucro, a geração de caixa e a capacidade de distribuir recursos aos acionistas reforçam a solidez financeira da empresa. O programa de recompra de ações é visto como um sinal de confiança da administração no valor da companhia.

A valorização do real, embora positiva para a economia brasileira em outros aspectos, tem sido um desafio recorrente para exportadoras como a Vale, cujas receitas são majoritariamente em dólares. O aumento dos custos de frete, por sua vez, reflete os impactos indiretos do conflito no Oriente Médio sobre o transporte marítimo global. A mineradora tem buscado mitigar esses efeitos por meio de eficiência operacional e otimização da cadeia logística.

No balanço, a empresa também destacou avanços em sustentabilidade e segurança, áreas prioritárias após os desastres de Mariana e Brumadinho. Os progressos nos programas de reparação são acompanhados de perto por investidores e pela sociedade, e a Vale tem reforçado o compromisso com o cumprimento das obrigações firmadas.Com a divulgação dos resultados, o mercado avalia se a revisão de custos e o aumento da produção de metais básicos serão suficientes para sustentar a rentabilidade nos próximos trimestres.

A expectativa é de que a demanda por cobre e níquel, ligados à transição energética, continue oferecendo suporte, enquanto o minério de ferro permanece sujeito às dinâmicas do mercado chinês e aos custos de produção.

A Vale encerrou o segundo trimestre com uma combinação de desafios de custos e resultados operacionais robustos. A distribuição de recursos aos acionistas e o novo programa de recompra sinalizam a intenção de manter a atratividade para investidores, mesmo em um cenário de lucros mais pressionados. O desempenho da companhia será acompanhado de perto nos próximos meses, à medida que o mercado busca sinais de estabilização nos custos e de continuidade na geração de valor.