A Petrobras anunciou nesta semana que sua produção total de petróleo e gás natural atingiu o recorde de 3,336 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) no segundo trimestre de 2026, um avanço de 14,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado, divulgado na terça-feira (28), reflete ganhos de eficiência operacional e a entrada em operação de dez novos poços produtores, quatro na Bacia de Campos e seis na Bacia de Santos.O pré-sal, principal motor do crescimento da companhia, também registrou marca histórica: 2,78 milhões de boe/d, alta de 16,3% na comparação anual.
Segundo a estatal, a melhoria na eficiência operacional sozinha contribuiu com um incremento de 70 mil barris por dia em relação ao segundo trimestre de 2025.Embora a prioridade da Petrobras continue sendo o abastecimento do mercado interno brasileiro, a produção superior à capacidade de refino doméstica tem impulsionado as exportações. No segundo trimestre, as vendas externas de petróleo bruto subiram 44,3% ante o mesmo período de 2025, alcançando 996 mil barris por dia.
O salto ocorre em meio a restrições de oferta no Oriente Médio, decorrentes do conflito entre Estados Unidos e Irã, que tem afetado o tráfego no Estreito de Ormuz.“Temos buscado clientes alternativos porque estamos aumentando a produção. A tendência é de alta. Precisamos de novos mercados para esse petróleo”, afirmou Angelica Laureano, diretora de Logística e Comercialização da Petrobras.
A executiva, que assumiu o cargo em abril, pouco após o início das tensões geopolíticas, destacou que a China permanece o principal destino, mas sua participação nas exportações da companhia caiu de 51% para 35%. A Índia avançou para a segunda posição, com 22% (ante apenas 3% no ano anterior), enquanto a Europa manteve cerca de 18%.Laureano revelou que a empresa está em negociações para um acordo com o Japão, ainda em fase de testes, e intensifica a busca pelo mercado europeu.
“Estamos exportando bastante para a Índia. A China continua sendo nosso maior mercado, mas também perseguimos a Europa por causa da guerra”, disse.No mercado doméstico, a Petrobras elevou a utilização das refinarias para 101% no trimestre, um aumento de 10 pontos percentuais em relação a 2025, com foco especial na produção de diesel. As vendas do combustível cresceram 2,9%.
A companhia chegou a suspender importações de diesel em abril e maio devido aos preços internacionais elevados, retomando as compras apenas no final de junho. A Rússia, tradicionalmente o maior fornecedor externo de diesel para o Brasil, restringiu exportações para priorizar o mercado interno após ataques ucranianos, o que tende a apertar ainda mais o mercado global.
A Petrobras, no entanto, não adquire combustível russo em função de sanções americanas.A diretora ressaltou que a integração entre produção, refino e logística foi fundamental para enfrentar a volatilidade. “Conseguimos abastecer nossos mercados sem grandes dificuldades. Ter operações no exterior e contratos de longo prazo de afretamento também foi importante.
Mas a maior lição é que a segurança energética é um ativo vital tanto para a empresa quanto para o país”, afirmou Laureano. Ela observou ainda que a volatilidade dos preços do petróleo praticamente dobrou durante o conflito, mas os preços domésticos da Petrobras permaneceram estáveis graças a medidas de subsídio adotadas no início da crise.O desempenho reforça o momento de expansão da indústria de petróleo brasileira, impulsionada pelos campos do pré-sal.
A companhia tem direcionado a maior parte de seus investimentos para exploração e produção nessas áreas, consolidando o Brasil como um fornecedor confiável em um cenário global marcado por incertezas geopolíticas. Analistas apontam que a diversificação de destinos de exportação, com o crescimento da Índia e o potencial avanço para o Japão e Europa, reduz a dependência de um único mercado e fortalece a resiliência comercial da estatal.Ainda assim, desafios permanecem.
A alta nos prêmios do diesel em relação ao petróleo bruto tem chamado a atenção do mercado, embora Laureano acredite que não serão proibitivos. “Continuaremos importando, mas nada além do que estamos acostumados. Temos fornecedores e cargas asseguradas até setembro”, afirmou.Com a produção em trajetória ascendente e a necessidade de escoar volumes crescentes, a Petrobras posiciona-se para capitalizar a demanda de compradores asiáticos e europeus que buscam alternativas mais seguras às rotas do Oriente Médio.
O recorde do segundo trimestre não apenas confirma a capacidade operacional da companhia, mas também sinaliza o papel cada vez mais relevante do Brasil no reequilíbrio do comércio global de petróleo em tempos de instabilidade.
