Cerco por meses, carro monitorado e passaporte cancelado: os bastidores da prisão de Ramagem nos EUA

A prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em Orlando, na Flórida, não aconteceu por acaso. A operação foi resultado de meses de monitoramento conduzido pela Polícia Federal brasileira em cooperação com autoridades americanas. Os bastidores revelam rastreamento de veículos, vigilância da rotina familiar e o uso de um passaporte já cancelado como peça-chave para a detenção.

Ramagem estava foragido nos Estados Unidos desde 2025, após ser condenado pelo STF a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele deixou o Brasil de forma clandestina, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana antes do fim do julgamento. Em seguida, seguiu para a Flórida.

Como a PF descobriu o paradeiro

A virada na investigação veio quando a Polícia Federal localizou o veículo usado por Ramagem para buscar a esposa no aeroporto logo após a fuga. A partir dessa pista, os investigadores identificaram a residência dele em Orlando. Durante o monitoramento, descobriram ainda que o ex-deputado havia comprado um automóvel utilizando um passaporte que já tinha sido cancelado por determinação da Justiça brasileira.

Houve uma tentativa de obter mandado de prisão por fraude documental. Contudo, a Justiça americana negou o pedido. Por essa razão, o foco da operação se voltou para a situação migratória irregular do brasileiro.

A abordagem aconteceu em via pública. Agentes do ICE abordaram Ramagem enquanto ele caminhava pela rua. Inicialmente, alegaram uma infração de trânsito para justificar a checagem de documentos. Ao apresentar o passaporte vencido, a irregularidade foi confirmada e a prisão efetuada.

Cooperação entre Brasil e EUA

Um delegado da Polícia Federal que atua como oficial de ligação junto ao ICE em Miami teve papel fundamental no processo. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, esse delegado emitiu os alertas que auxiliaram as agências americanas na captura. A estratégia faz parte de um acordo de cooperação entre os dois países para combate ao crime organizado e localização de foragidos.

Atualmente, Ramagem está em um centro de detenção. Seu destino será decidido por um juiz de imigração em Jacksonville, na Flórida. A defesa deve apresentar pedido de liberdade e focar na solicitação de asilo político. Todavia, as autoridades brasileiras trabalham para demonstrar ao tribunal americano que o caso envolve execução de pena por crimes comuns — e não perseguição política. O Ministério da Justiça já havia formalizado o pedido de extradição em dezembro de 2025, logo após a cassação do mandato pela Câmara dos Deputados.