Vale tem lucro 54% menor no terceiro trimestre, pressionada por minério mais barato e frete mais caro

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By LatAm Reports Staff Writers

A Vale fechou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 1,255 bilhão, queda de 54% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado, divulgado na noite de quinta-feira (29), ficou abaixo do consenso de analistas compilado pela Bloomberg, de US$ 1,508 bilhão, segundo o Seu Dinheiro. A receita líquida subiu 2%, para US$ 10,6 bilhões, e o Ebitda proforma caiu 20%, para US$ 3,51 bilhões, número um pouco acima do esperado pelo mercado.

A mineradora atribuiu a queda a três fatores que vinham sendo antecipados por analistas. O preço realizado do minério de ferro recuou 10%, para US$ 85,10 por tonelada, US$ 9,90 a menos que no trimestre anterior. A valorização do real diante do dólar no período reduziu o valor das exportações, cotadas na moeda americana. E a alta do petróleo encareceu o combustível dos navios que levam o minério à China, com impacto negativo estimado em US$ 275 milhões no Ebitda na comparação anual, segundo a Revista Mineração.

Os custos subiram. O custo caixa C1 do minério chegou a US$ 23,10 por tonelada, alta de 12%, puxado pelo real mais forte e pelo diesel. O custo total, que inclui o frete, avançou 21%, para US$ 60,40 por tonelada. As operações de proteção contra a alta do petróleo amorteceram parte do efeito: a empresa tinha cerca de 70% do consumo de combustível previsto para 2026 protegido e já garantiu 67% do volume de 2027 a um Brent de aproximadamente US$ 78 por barril.

A produção de minério de ferro somou 88,4 milhões de toneladas, queda de 6%, por causa da menor disponibilidade de minério bruto em Serra Norte, em Carajás. O complexo S11D, em Serra Sul, compensou parte da perda com recorde trimestral de 23,8 milhões de toneladas. Em Minas Gerais, a mina de Fábrica, parada desde o início do ano após o transbordamento de uma cava, voltou a operar em setembro. A Vale manteve a meta de 335 milhões a 345 milhões de toneladas para 2026, mas indicou que deve ficar perto do piso.

O lado positivo veio dos metais básicos. O preço realizado do cobre subiu 56% em um ano, para US$ 15.314 por tonelada, e o custo total do metal ficou negativo graças à receita com ouro e prata extraídos junto. A produção de níquel cresceu 6%, com o segundo forno de Onça Puma e o melhor trimestre em Sudbury, no Canadá, desde 2013. A empresa espera ficar na metade superior das metas dos dois metais e aprovou um projeto para elevar a capacidade de Salobo III, no Pará, de 12 milhões para 18 milhões de toneladas por ano.

O peso crescente do cobre ajuda a explicar a importância política da divisão de metais básicos, cuja abertura de capital a Vale engavetou em setembro diante da resistência em Brasília a perder o controle sobre ativos considerados estratégicos. O tema deve continuar em pauta no quarto mandato de Lula, enquanto o setor cobra a regulamentação do novo marco dos minerais críticos.

Para o quarto trimestre, o câmbio deve jogar a favor. A alta do dólar depois da eleição de domingo aumenta a receita em reais das exportadoras, e as ações da Vale chegaram a subir mais de 4% na segunda-feira (26), na contramão do tombo do Ibovespa. A dívida líquida expandida, que inclui as provisões para Brumadinho e Samarco, ficou em US$ 16,4 bilhões, praticamente estável em um ano.