O dólar fechou esta segunda-feira (13) cotado a R$ 4,99. Foi a primeira vez em mais de dois anos que a moeda americana encerrou o dia abaixo dos R$ 5. O marco chamou atenção de quem planeja viagens, de quem investe e de quem apenas acompanha o noticiário econômico. A pergunta que surge é inevitável: chegou a hora de comprar?
Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que o cenário é favorável, mas pedem cautela. A recomendação unânime é comprar aos poucos, diluindo a aquisição ao longo de dias ou semanas.
“Para uma viagem, o recomendado é fracionar a compra em pelo menos três períodos até o dia do embarque. Assim, você consegue um preço médio e evita a sensação de ter comprado mal”, afirma Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, segue a mesma linha. Segundo ele, apostar na continuidade da valorização do real é arriscado.
“A melhor estratégia é comprar um pouco por dia, por semana, buscando fazer um preço médio interessante”, recomenda. Além disso, alerta que usar a queda para comprar tudo de uma vez é perigoso em um cenário ainda volátil.
Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, classifica o momento como uma “boa oportunidade” para reforçar a posição na moeda. Afinal, a projeção do mercado é de que o dólar encerre 2026 acima de R$ 5,37. Sérgio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos, concorda e recomenda a compra parcial para diversificação de carteira. Rafael Minotto, da Ciano Investimentos, também vê uma janela favorável. Contudo, pondera que o dólar é sensível a variáveis como guerra, juros, petróleo e cenário fiscal.
O que explica a queda
A desvalorização do dólar reflete a instabilidade global provocada por decisões do presidente Donald Trump. Diante das incertezas comerciais e geopolíticas, investidores têm migrado para mercados emergentes — e o Brasil está entre os destinos preferidos. Esse fluxo de capital amplia a oferta de dólares no país e empurra a cotação para baixo.
A guerra no Oriente Médio interrompeu temporariamente esse movimento em março, quando a moeda voltou a oscilar acima de R$ 5,30. Todavia, em abril, o dólar retomou a trajetória de queda diante de sinais de um possível acordo de paz entre EUA e Irã.
Além disso, o Brasil mantém um dos maiores juros reais do mundo. Na prática, investidores internacionais buscam esses rendimentos, o que atrai ainda mais capital. A abundância na exportação de commodities também sustenta o movimento.
“Isso torna a queda mais sustentável, especialmente em um momento em que o país é menos afetado por conflitos geopolíticos”, explica Praça.
Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, acrescenta outro fator. Para ele, a desvalorização do dólar faz parte da estratégia econômica do próprio Trump.
“Faz parte do modus operandi de Trump, que combina a desvalorização da moeda com barreiras tarifárias para levar a produção de volta aos EUA”, analisa.
