Um levantamento inédito revelou um retrato preocupante da principal bacia hidrográfica paulista. Pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica identificou algum tipo de contaminação em todos os trechos analisados do Rio Tietê, encontrando substâncias como microplásticos, resíduos de medicamentos, agrotóxicos e até vestígios de cocaína ao longo do curso d’água.
O estudo, realizado em parceria com universidades, é o mais detalhado já feito sobre a qualidade das águas do Tietê e reforça que a poluição vai muito além do esgoto doméstico, envolvendo também resíduos da atividade agrícola, produtos farmacêuticos e compostos associados ao consumo de drogas.
Estudo reforça urgência em ampliar saneamento e fiscalização
Segundo os pesquisadores, todos os pontos monitorados apresentaram algum nível de contaminação, demonstrando que os impactos ambientais atingem praticamente toda a extensão do rio, desde as áreas urbanas até regiões mais afastadas.
Especialistas afirmam que o levantamento reforça três prioridades para recuperar o Rio Tietê: ampliar a universalização do saneamento básico, fortalecer a fiscalização sobre lançamentos irregulares de poluentes e adotar uma gestão integrada de toda a bacia hidrográfica, já que o rio atravessa praticamente todo o estado de São Paulo.
A situação voltou a chamar atenção nesta semana, quando fortes chuvas provocaram a formação de uma grande camada de espuma no trecho do rio em Salto, no interior paulista. O fenômeno, causado pelo acúmulo de poluentes e detergentes presentes na água, chegou a invadir ruas e avenidas da cidade.
O Governo de São Paulo informou que o Tietê recebeu, durante décadas, grandes volumes de poluição industrial e esgoto doméstico, mas afirma que tem ampliado os investimentos em saneamento. Segundo o estado, desde 2023 cerca de 1,5 milhão de imóveis deixaram de despejar esgoto diretamente no rio, beneficiando aproximadamente 4 milhões de pessoas e reduzindo a carga orgânica lançada nas águas.
Apesar dos avanços anunciados, o novo estudo mostra que a recuperação do Rio Tietê ainda enfrenta desafios importantes e depende da continuidade dos investimentos em infraestrutura, fiscalização ambiental e controle de novas fontes de contaminação.
