Pesquisas recentes mostram que as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros estão reforçando a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida eleitoral de 2026, ao mesmo tempo em que desgastam seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL).De acordo com levantamento da Genial/Quaest divulgado em junho, 47% dos entrevistados concordam mais com a versão de Lula sobre a origem das tarifas, contra 35% que apoiam a narrativa de Flávio Bolsonaro.
Além disso, 39% disseram que o episódio aumenta sua disposição de votar no atual presidente, enquanto 30% indicaram que o favorece o senador. Outros 23% preferem um candidato fora da polarização entre os dois.
A pesquisa, realizada entre 5 e 8 de junho com 2.004 eleitores por entrevistas presenciais (margem de erro de 2 pontos percentuais), também apontou queda na preocupação com impactos pessoais das tarifas: 55% temem prejuízos para si ou familiares, ante percentuais mais altos em meses anteriores.
Tarifas entram em vigor nesta semanaOs Estados Unidos confirmaram na semana passada a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho. A medida, baseada em investigação da Seção 301 da lei comercial americana, atinge cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA, ou aproximadamente US$ 7,4 bilhões com base em dados recentes.Itens estratégicos como carne bovina, suco de laranja, café (em algumas categorias), partes de aeronaves civis, produtos energéticos e determinados minerais ficaram isentos. A justificativa americana inclui alegações de práticas comerciais “injustas”, como o uso do sistema Pix, decisões judiciais e questões ambientais. O governo brasileiro rejeita as acusações e classifica a medida como politicamente motivada.
O Planalto acusa Flávio Bolsonaro de ter colaborado com o entorno de Donald Trump para viabilizar as tarifas, após visitas do senador a Washington. Flávio nega e afirma ter atuado para evitar a sobretaxação. O governo Lula prometeu “não ter viralatice” e anunciou reuniões com setores afetados, além da ampliação do Plano Brasil Soberano para apoiar empresas e empregos impactados.
Medidas de retaliação estão em avaliação.Dados eleitorais recentes reforçam tendênciaUma pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (21), com 2 mil entrevistas presenciais entre 18 e 20 de julho (margem de erro de 2 pontos), mostra Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o petista aparece com 45%, ante 42% do rival — empate técnico dentro da margem de erro.
A aprovação ao governo Lula está em 46%, com 50% de reprovação. Nas taxas de rejeição (quem o eleitor “não votaria de jeito nenhum”), Flávio lidera ligeiramente com 50%, seguido por Lula com 48%.Outros institutos, como Genial/Quaest em rodadas anteriores, também registram vantagem de Lula na percepção sobre quem melhor defende os interesses nacionais no embate tarifário.
Contexto econômico e analistasO economista americano Paul Krugman, Nobel de Economia, afirmou que as tarifas não alcançarão objetivos econômicos pretendidos e politicamente “fortalecerão” Lula. Segundo ele, a medida é vista no Brasil como retaliação por avanços como o Pix e por ações judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump.
Setores exportadores já se movimentam: algumas empresas anteciparam embarques para evitar a tarifa, enquanto outras buscam novos mercados na Europa e Canadá. O governo federal inicia nesta terça reuniões com representantes afetados para mitigar impactos.
A balança comercial bilateral favorece historicamente os EUA, e analistas alertam para riscos de desvio de comércio que poderiam beneficiar concorrentes como a China. A medida ocorre em meio a tensões geopolíticas mais amplas e a menos de três meses do início oficial da campanha eleitoral.
PerspectivasEmbora as pesquisas indiquem ganho relativo para Lula no tema das tarifas, a reprovação ao seu governo permanece elevada e a eleição segue polarizada.
Flávio Bolsonaro mantém base consolidada entre eleitores de direita, e o cenário pode evoluir com a divulgação de novos dados econômicos e eventuais respostas brasileiras à sobretaxação.
O governo Lula enfatiza soberania e negociações, enquanto opositores criticam a condução da política externa. Especialistas veem no episódio um teste para a resiliência da economia brasileira e para a narrativa de “defesa nacional” na reta final da pré-campanha.
