Justiça torna Deolane Bezerra e Marcola réus em ação por lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada ao PCC

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou ré a influenciadora e advogada Deolane Bezerra pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro em uma investigação que apura um suposto esquema de ocultação de recursos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A decisão também inclui como réus Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção, além de outros familiares e investigados citados pelo Ministério Público.

MP aponta movimentação de dinheiro ligado ao PCC

A denúncia foi aceita pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau (SP), no âmbito da Operação Vérnix.

Segundo o Ministério Público, familiares e pessoas de confiança de líderes do PCC recebiam ordens para movimentar recursos obtidos de forma ilícita por meio de uma empresa de transportes. De acordo com a investigação, parte desses valores teria sido depositada em favor de Deolane Bezerra, Everton de Souza e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola.

Os promotores afirmam que relatórios de inteligência financeira, além de quebras de sigilo bancário e fiscal, indicam supostas operações destinadas a ocultar a origem do dinheiro e reinseri-lo na economia formal.

Além de Deolane e Marcola, também foram denunciados Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Everton de Souza e Paloma Sanches Herbas Camacho.

A Justiça também negou o pedido da defesa de Deolane para que ela fosse transferida para uma Sala de Estado-Maior ou passasse a cumprir prisão domiciliar. O Ministério Público argumentou que esse tipo de benefício não se aplica a casos envolvendo organizações criminosas com atuação baseada em violência.

Defesas contestam acusações

A defesa de Marcola e de outros familiares afirmou que o líder da facção e seu irmão cumprem pena em presídios federais de segurança máxima desde 2019, sob rígidas restrições de comunicação, o que, segundo os advogados, inviabilizaria qualquer participação nos fatos descritos na denúncia.

Os advogados também sustentam que o vínculo familiar entre os denunciados não comprova participação em atividades criminosas e afirmam que o patrimônio citado pelo Ministério Público possui origem regular.

A defesa informou ainda que pretende contestar judicialmente todas as acusações durante o andamento do processo.

Com o recebimento da denúncia, os investigados passam oficialmente à condição de réus. O caso seguirá agora para a fase de instrução, quando serão produzidas provas e ouvidas testemunhas antes do julgamento.