O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, quer colaborar com as investigações do Caso Master. Preso na Operação Compliance Zero, ele sinalizou interesse em fechar um acordo de colaboração premiada. A defesa pediu ao Supremo Tribunal Federal a transferência do Complexo Penitenciário da Papuda para um local que garanta sigilo nas conversas com advogados.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. No documento, os advogados afirmam que Costa manifestou a intenção de cooperar “possivelmente por meio de colaboração premiada”. Contudo, alegam que as condições da Papuda impedem discussões detalhadas sobre os fatos investigados. Por essa razão, pedem um ambiente com confidencialidade plena.
Segundo a defesa, três fatores são essenciais para viabilizar o acordo: a vontade do investigado, a análise técnica sobre a utilidade das informações e uma decisão esclarecida sobre os termos e riscos envolvidos. Nenhuma dessas etapas poderia ser cumprida adequadamente na atual unidade prisional.
A petição menciona ainda que Costa é oficial da reserva das Forças Armadas, com patente de 2º tenente. Por conseguinte, a defesa argumenta que ele teria direito à prisão especial, como a sala de Estado-Maior na Polícia Federal. É o mesmo espaço onde está preso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Anteriormente, o ex-presidente Jair Bolsonaro também ficou no local entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
Costa esteve à frente do BRB a partir de 2019, indicado pelo ex-governador Ibaneis Rocha. Ele conduziu a tentativa de compra do Banco Master, apresentada como solução para a crise da instituição privada. Todavia, o Banco Central vetou a operação por falta de viabilidade econômico-financeira. Além disso, a PF apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master sem os devidos processos de análise e governança.
O executivo foi afastado do cargo em novembro após decisão judicial. A 4ª fase da Operação Compliance Zero investigou um suposto esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. São investigados crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
