Churrasco da Copa pesa no bolso: picanha e outros cortes sobem com corrida das exportações para a China

Quem pretende reunir amigos e familiares para acompanhar os jogos da Copa do Mundo precisará preparar também um orçamento maior para o churrasco. Cortes tradicionais da carne bovina, como picanha, peito e filé-mignon, registraram aumentos expressivos nos últimos meses, impulsionados principalmente pela forte demanda internacional, especialmente da China.

O movimento começou após a imposição de novas regras pelo governo chinês, que estabeleceu uma sobretaxa de 55% para exportações brasileiras de carne bovina que ultrapassarem 1,1 milhão de toneladas em 2026. Com receio de perder competitividade depois de atingir esse limite, frigoríficos aceleraram os embarques no primeiro semestre, reduzindo a oferta disponível no mercado interno e pressionando os preços para o consumidor brasileiro.

Exportações aceleradas diminuem oferta no Brasil

Dados do IBGE mostram que todos os cortes bovinos pesquisados registraram alta em maio. Os maiores aumentos foram observados no filé-mignon, que subiu 4,4%, na picanha, com avanço de 3,9%, e no peito, que ficou 3% mais caro. No acumulado de 2026, o peito lidera as altas, com valorização de 13,6%, seguido pela capa de filé, que avançou 11,8%, e pela picanha, com 9,3%.

Segundo especialistas do setor, a valorização não está ligada apenas ao consumo durante a Copa. O principal fator é a redução da oferta doméstica provocada pela corrida exportadora.

A China respondeu por mais da metade das exportações brasileiras de carne bovina entre janeiro e maio deste ano. Com a aproximação do limite da cota estabelecida pelo país asiático, frigoríficos intensificaram os embarques, diminuindo a disponibilidade de carne no mercado nacional.

Analistas avaliam que pode haver um alívio temporário nos preços durante os próximos meses, quando a China reduzir suas compras após atingir a cota. No entanto, a expectativa para o último trimestre do ano segue de novas altas.

Além da retomada da demanda chinesa, fatores climáticos associados ao El Niño podem reduzir a oferta de gado pronto para abate. Ao mesmo tempo, o aumento do consumo nos Estados Unidos e a tradicional demanda aquecida das festas de fim de ano devem manter a pressão sobre os preços.

Para o consumidor, isso significa que o churrasco da Copa pode até encontrar algum alívio momentâneo nos próximos meses, mas a tendência para o restante de 2026 continua sendo de carne mais cara nos supermercados e açougues.