A morte de uma jovem de 21 anos durante um salto de rope jump no interior de São Paulo reacendeu o debate sobre a segurança dos esportes radicais praticados em pontes e viadutos. Na capital paulista, embora a Prefeitura afirme que esse tipo de atividade é proibido no Viaduto Sumaré desde 2005, empresas continuam anunciando saltos no local, com ingressos vendidos a partir de R$ 89.
A discussão ganhou força após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, que caiu de cerca de 40 metros depois de ser lançada sem que a corda de segurança estivesse presa ao corpo.
Proibição existe há duas décadas, mas prática continua
Segundo a Prefeitura de São Paulo, saltos de rope jump, bungee jump e outras atividades radicais no Viaduto Sumaré permanecem proibidos e dependem de autorização do poder público para serem realizados em áreas públicas.
A restrição foi adotada em 2005, após um praticante de rapel cair de uma altura de aproximadamente 27 metros durante um evento realizado na Avenida Sumaré. Na época, o município determinou que a Guarda Civil Metropolitana intensificasse a fiscalização e autorizou o recolhimento de equipamentos em caso de descumprimento.
Mesmo assim, anúncios de eventos continuam circulando em redes sociais e plataformas de venda de ingressos, oferecendo experiências de rope jump no viaduto por valores a partir de R$ 89.
Representantes da modalidade contestam a interpretação da Prefeitura. Segundo a Associação Brasileira de Rope Jump (ABRJP), a norma criada em 2005 faz referência ao rapel e ao bungee jump, mas não cita expressamente o rope jump, o que teria criado um “limbo jurídico” sobre a atividade.
A entidade afirma estar elaborando uma proposta para regulamentar a modalidade, estabelecendo critérios mínimos de certificação para operadores, empresas e protocolos de segurança.
Tragédia reacende debate sobre fiscalização
O caso ganhou ainda mais repercussão após a Polícia Civil concluir que Maria Eduarda foi lançada da plataforma sem estar conectada ao sistema principal de segurança. Segundo as investigações, a corda permaneceu enrolada na plataforma enquanto a jovem caiu de aproximadamente 40 metros.
Três instrutores foram presos e responderão por homicídio com dolo eventual. A investigação também apontou que o evento não possuía autorização para funcionar no local.
Especialistas recomendam que praticantes verifiquem se a empresa possui CNPJ ativo, cadastro no Ministério do Turismo para atividades de aventura, certificações específicas e protocolos rigorosos de conferência dos equipamentos antes de qualquer salto.
Também é importante observar se todos os equipamentos de proteção individual, como cadeirinha, peitoral e capacete, estão corretamente instalados antes da atividade.
