Centrão atua nos bastidores do STF para tentar libertar banqueiro Daniel Vorcaro

A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro provocou intensa movimentação política em Brasília. Nos bastidores, lideranças ligadas ao centrão passaram a mapear votos dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de conseguir sua libertação.

Segundo informações divulgadas pelo g1, a preocupação central desses grupos é que a permanência prolongada do empresário na prisão aumente a chance de um acordo de delação premiada. Caso isso ocorra, Vorcaro poderia revelar detalhes de relações políticas e financeiras envolvendo integrantes do Congresso.

A estratégia passou a ganhar força nos últimos dias. Interlocutores políticos começaram a avaliar o posicionamento dos ministros da Segunda Turma do STF, responsável por analisar a legalidade da prisão.

O banqueiro foi preso em 4 de março por decisão do ministro André Mendonça, relator do chamado caso Master no Supremo. Na decisão, o magistrado afirmou que a prisão era necessária para preservar a ordem pública e proteger o andamento das investigações.

Desde então, Vorcaro permanece isolado em uma cela de um presídio federal de segurança máxima em Brasília.

Estratégia política aposta em possível empate no julgamento

A análise da prisão será feita pela Segunda Turma do STF. O colegiado é formado pelos ministros André Mendonça, Gilmar Mendes, Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli.

Entretanto, um fato recente alterou o cálculo político nos bastidores. O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para julgar o caso. Com isso, o julgamento deverá ocorrer com apenas quatro ministros.

Essa mudança abriu um novo cenário. Interlocutores políticos avaliam que um eventual empate na votação poderia favorecer o banqueiro. Nesse caso, a prisão poderia ser revertida.

Antes da suspeição de Toffoli, a estratégia era reunir três votos entre os cinco ministros da Turma. Contudo, Mendonça já deixou clara sua posição ao autorizar a prisão. Assim, o foco das articulações passou a recair sobre os outros integrantes do colegiado.

Apesar das movimentações políticas, integrantes do próprio Supremo afirmam que ainda não existe um indicativo claro sobre qual será o resultado do julgamento.

A defesa de Vorcaro, por sua vez, negou nesta quinta-feira (12) que o banqueiro esteja negociando um acordo de colaboração com as autoridades.

Mesmo assim, o temor de uma possível delação continua sendo o principal fator por trás das articulações políticas observadas em Brasília.