O relatório da Polícia Civil de São Paulo sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro entre Deolane Bezerra e o PCC revela um episódio ocorrido em novembro de 2023. Na ocasião, a irmã da influenciadora, Dayanne Bezerra Santos, tentou sacar R$ 1 milhão em espécie em uma agência do Itaú. O banco barrou a operação por suspeita de irregularidade. Em resposta, Deolane processou a instituição na Justiça.
Segundo os investigadores, Dayanne justificou que o dinheiro seria usado para comprar um imóvel. O banco ofereceu a alternativa de transferência eletrônica, o que garantiria a rastreabilidade dos recursos. Contudo, a irmã de Deolane recusou a opção. Após o episódio, o Itaú concedeu prazo até janeiro de 2024 para o encerramento definitivo das contas da família. Na época, Deolane possuía cerca de R$ 10 milhões investidos na instituição.
Movimentação incompatível com a renda
O caso reforça a tese dos investigadores de que o núcleo familiar de Deolane utiliza movimentações financeiras complexas para ocultar a origem de recursos. Segundo o relatório, a influenciadora movimentou R$ 7,6 milhões em créditos efetivos. Todavia, declarou apenas R$ 577 mil no Imposto de Renda — uma diferença de mais de R$ 6,5 milhões.
O documento aponta ainda que tanto Dayanne quanto a mãe, Solange Bezerra, apresentam movimentações mensais na ordem de milhões de reais. Por essa razão, a polícia considera que há “aparente dissintonia com as rendas formalmente declaradas”. Dayanne é sócia de Deolane na empresa Bezerra Publicidade e Comunicação, apontada no inquérito como principal veículo do esquema de lavagem.
A prisão e a operação
Deolane foi presa na quinta-feira (21) em sua casa em Barueri, na Grande São Paulo. A Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, também mira Marcola, líder do PCC — que já está preso. Além disso, familiares dele constam entre os alvos: o irmão Alejandro Camacho, o sobrinho Leonardo Alexsander e a sobrinha Paloma Sanches, que está em Madri.
Deolane havia passado as últimas semanas em Roma. Chegou a ser incluída na lista da Difusão Vermelha da Interpol. Outrossim, retornou ao Brasil na quarta-feira (20), um dia antes da operação. Everton de Souza, conhecido como “Player” e apontado como operador financeiro do esquema, também foi preso.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em valores dos investigados. Além disso, 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões foram apreendidos. No caso específico de Deolane, o bloqueio é de R$ 27 milhões.
A defesa da influenciadora afirmou que ela é inocente e que os fatos serão esclarecidos. Nas redes sociais, Dayanne disse que “as acusações injustas exigem coragem” e que irá “lutar pela verdade e pela dignidade” da irmã.
