Datafolha aponta Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 32% no 1º turno; corrida esquenta a 2 meses da eleição

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By LatAm Reports Staff Writers

A menos de dois meses da eleição presidencial de outubro, uma nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta semana, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida ao Planalto, mas com o deputado Flávio Bolsonaro (PL) reduzindo a distância e se firmando como o principal adversário do campo bolsonarista.

Segundo o levantamento, ouvindo 2.058 eleitores em todo o país, Lula tem 39% das intenções de voto no cenário estimulado com todos os postulantes, contra 32% de Flávio — uma vantagem de 7 pontos percentuais. Já no espontâneo, quando o entrevistado responde sem receber uma lista de nomes, o presidente marca 32% e Flávio aparece com 19%, com 32% dos eleitores ainda sem definição.

O dado que mais chamou atenção de analistas políticos, porém, foi o de um eventual segundo turno: Lula venceria Flávio por 47% a 43%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos e classificada pelo instituto como “empate técnico”. Em simulações com outros nomes da oposição, a vantagem do petista é mais folgada — 47% a 40% sobre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado; 48% a 38% sobre o governador de Minas Gerais, Romeu Zema; e 47% a 37% sobre o ex-coach Renan Santos.

Pablo Marçal, inelegível até 2032 por decisão da Justiça Eleitoral, ainda assim foi testado pelo instituto e obteve 2% no cenário estimulado e 1% no espontâneo.

A sombra de Jair Bolsonaro sobre a candidatura do filho

A ascensão de Flávio Bolsonaro ao posto de principal opositor de Lula ocorre num momento delicado para a família: o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso desde novembro de 2025, cumprindo pena de 27 anos e três meses em regime fechado após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela trama golpista que tentou impedir a posse de Lula em 2023. A Primeira Turma da Corte, com votos dos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, formou maioria para manter a prisão preventiva do ex-presidente, segundo apurou a CNN Brasil.

Pesquisas anteriores do instituto Genial/Quaest já indicavam esse movimento de transferência de votos: em levantamento no início do ano, Flávio saltou de patamares mais baixos para 26% no cenário sem Tarcísio de Freitas, enquanto a avaliação do governo Lula seguia estagnada, com 49% de desaprovação contra 48% de aprovação. Segundo o mesmo instituto, a percepção sobre a escolha do pai por Flávio como herdeiro político também mudou: a fatia que considera a decisão acertada subiu para 44%.

Governo tenta segurar preço da gasolina e reduz fila do INSS

Enquanto a disputa eleitoral avança, o Palácio do Planalto tenta emplacar uma agenda de resultados nas últimas semanas. Na noite de segunda-feira (25), o Ministério da Fazenda publicou, em edição extra do Diário Oficial da União, uma portaria prorrogando até 9 de setembro o subsídio de R$ 0,44 por litro na gasolina, medida usada para conter o preço nas bombas, conforme noticiado pelo Mercado Hoje.

O governo também comemora a redução da fila de pedidos de benefícios do INSS: segundo dados parciais até 24 de agosto, o volume de requerimentos pendentes de análise recuou a 1,282 milhão, ante 3,073 milhões em janeiro — queda de 59% e o menor patamar desde 2023, de acordo com o Ministério da Previdência Social.

No campo eleitoral, a disputa pela sucessão nos estados também esquenta: mais informações sobre os pré-candidatos ao Palácio do Planalto e aos governos estaduais podem ser conferidas no levantamento sobre os possíveis candidatos à Presidência em 2026.

O que vem por aí

Com a eleição marcada para outubro, os próximos meses devem concentrar a definição das chapas e o início oficial da propaganda eleitoral. A manutenção de Jair Bolsonaro na prisão — e o desfecho dos recursos de sua defesa junto ao STF — segue como fator determinante para o desempenho de Flávio nas pesquisas, à medida que o eleitorado bolsonarista decide se transfere ou não seu apoio ao filho do ex-presidente.