O cacique Raoni Metuktire, uma das principais lideranças indígenas do Brasil e símbolo da defesa da Amazônia, foi diagnosticado com um adenocarcinoma do aparelho digestivo classificado como pouco diferenciado, segundo nota divulgada pelo Instituto Raoni. Aos 94 anos, ele passou a receber cuidados paliativos em casa, em Peixoto de Azevedo, no norte do Mato Grosso (Agência Brasil).
Segundo o instituto, a decisão de priorizar cuidados paliativos — em vez de tratamentos mais agressivos — levou em conta a idade do cacique, seu quadro clínico atual e os riscos associados a terapias invasivas. “Diante da idade, das condições clínicas e dos riscos associados a tratamentos mais agressivos”, as equipes médicas recomendaram o manejo paliativo, afirma o comunicado (Agência Brasil).
Uma sequência de internações
O diagnóstico é o desfecho de meses de complicações de saúde. Em junho, Raoni precisou ser transferido às pressas para São Paulo depois de desenvolver uma obstrução intestinal grave provocada pelo tumor. Ele foi submetido a uma cirurgia de gastroenteroanastomose no Hospital São Paulo, da Unifesp — procedimento que criou uma via alternativa para a passagem de alimentos, com o objetivo de aliviar o desconforto (Agência Brasil).
Cuidado físico e espiritual
De acordo com o instituto, o plano de cuidados paliativos combina manejo da dor, suporte de enfermagem, fisioterapia e acompanhamento nutricional. A assistência também contempla uma dimensão espiritual, com a participação de rezadores e curandeiros indígenas, respeitando as tradições do povo Mẽbêngôkre, ao qual Raoni pertence (O Povo).
Uma trajetória de décadas
Raoni ficou conhecido internacionalmente nas décadas de 1980 e 1990 por suas viagens ao lado do músico britânico Sting em campanhas de defesa da floresta amazônica e dos povos indígenas, tornando-se uma das vozes mais reconhecidas do ambientalismo brasileiro (Wikipédia). A notícia sobre seu estado de saúde repercutiu nesta semana em veículos de imprensa no Brasil e no exterior (Metropoles; Bahia Notícias).
