Ex-deputado Alexandre Ramagem é preso pelo serviço de imigração dos EUA na Flórida

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso pelo ICE, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos. A detenção aconteceu em Orlando, na Flórida, e foi confirmada pela Polícia Federal à GloboNews. Autoridades brasileiras foram comunicadas por volta das 12h desta segunda-feira (13).

Ramagem estava foragido da Justiça brasileira desde setembro de 2025. Ele deixou o país de forma clandestina antes do fim do julgamento no Supremo Tribunal Federal, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana. Em seguida, seguiu para os Estados Unidos. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Segundo as investigações, ele integrava o núcleo central da trama que tinha como objetivo manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, classificou a prisão como fruto da cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos. “Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”, afirmou. O governo brasileiro aguarda mais informações sobre o processo de retorno ao país.

Os trâmites de extradição já estavam em andamento. Em dezembro de 2025, a Embaixada do Brasil em Washington enviou a documentação ao Departamento de Estado dos EUA. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol — o que viabilizou a detenção por autoridades estrangeiras. Aliados do ex-deputado diziam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos. Contudo, a prisão por situação migratória irregular indica que a tentativa não prosperou.

O que aconteceu desde a fuga

Após deixar o Brasil, Ramagem sofreu uma série de sanções. Em dezembro, a Câmara dos Deputados cassou seu mandato. Em seguida, cancelou o passaporte diplomático e, por determinação do STF, bloqueou seus vencimentos parlamentares. Ele havia sido eleito pelo PL do Rio de Janeiro em 2022, com cerca de 59 mil votos. Em 2024, disputou a prefeitura do Rio e terminou em segundo lugar.

Ramagem é delegado da Polícia Federal desde 2005. Ganhou destaque ao chefiar a segurança de Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora, durante a campanha de 2018. Posteriormente, foi nomeado para comandar a Abin. Sua gestão no órgão é alvo de investigações sobre o uso da estrutura de inteligência para monitorar ilegalmente adversários políticos — caso conhecido como “Abin Paralela”. Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo diretor-geral da PF, mas a indicação foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes por causa da proximidade pessoal com a família presidencial.