Mosquito minúsculo faz moradores de SC se trancarem em casa e usarem casaco com 30°C

Um inseto de apenas três milímetros tem tirado o sossego dos moradores de Ilhota, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. O maruim, mosquito cuja picada causa irritação intensa e coceira na pele, se proliferou a ponto de obrigar parte da população a se trancar dentro de casa e cobrir o corpo com roupas longas mesmo sob temperaturas de 30°C. A prefeitura informou na quarta-feira (8) que está adotando medidas para enfrentar o problema.

De nome científico Culicoides paraensis, o maruim é cerca de 12 vezes menor que o mosquito da dengue e 20 vezes menor que o pernilongo comum. Apesar do tamanho, os danos são consideráveis. Segundo o professor de ecologia Luiz Carlos de Pinha, da Universidade Federal de Santa Catarina, apenas as fêmeas picam.

“A picada serve como suplemento alimentar para a fêmea produzir ovos. Só consegue gerar descendentes depois de picar alguém”, explicou.

O efeito mais comum é uma ardência incômoda na pele. Contudo, quando a infestação é grande, há risco de transmissão de doenças. Nas pessoas, o maruim pode transmitir a Febre do Oropouche, que apresenta sintomas semelhantes aos da dengue e da chikungunya — como dor de cabeça, dor muscular, náusea e diarreia. Não existe tratamento específico para a doença. Por essa razão, o acompanhamento médico é fundamental. Além disso, em animais de criação como bovinos e equinos, o inseto pode provocar surtos de outras doenças.

O que favorece a proliferação

Segundo a Epagri, o maruim se reproduz em locais úmidos e com muita matéria orgânica em decomposição. As fêmeas depositam ovos em mangues, brejos e pântanos. No caso de Ilhota, as características ambientais da região favorecem o cenário. A presença de água associada à matéria orgânica cria condições ideais para o desenvolvimento do inseto. Outrossim, a forte atividade agrícola local, como o cultivo de banana e arroz, contribui para a reprodução em larga escala.

A prefeitura informou que um processo de contratação de empresa especializada está em trâmite. Até o momento, apenas uma empresa oferece metodologia específica para o controle do maruim. Há grande probabilidade de que seja a mesma que já atua na vizinha Luiz Alves, que enfrentou problema semelhante em 2024.