O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em modo de urgência diante da disparada no preço do diesel, tentando evitar que o aumento chegue com força à inflação — especialmente em um ano eleitoral.
Em apenas uma semana, o valor médio do combustível saltou mais de 11%, passando de R$ 6,08 para R$ 6,80, segundo dados da ANP. Por trás dessa alta, está um fator externo que foge ao controle do Brasil: a escalada do conflito no Oriente Médio, que fez o preço do petróleo praticamente dobrar desde o início do ano.
O ponto mais sensível é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Com tensões na região e redução do fluxo, o barril disparou — e isso bate direto na conta.
No Brasil, o impacto chega rapidamente à Petrobras, responsável por cerca de 45% do preço final do diesel. Com o petróleo mais caro, a estatal fica diante de um dilema: repassar o aumento ao consumidor ou segurar os preços e absorver prejuízo.
Para evitar um choque imediato, o governo lançou um pacote emergencial. A estratégia combina isenção de impostos federais com uma espécie de subsídio para produtores e importadores. A conta pode chegar a R$ 30 bilhões, com a promessa de reduzir o preço em cerca de R$ 0,64 por litro.
Na prática, é uma tentativa de dividir o impacto: parte fica com o governo, parte com a Petrobras — e uma fatia menor chega ao consumidor.
O problema é que, até agora, o efeito tem sido limitado. A desoneração federal atinge só uma pequena parcela do preço final. Por isso, o governo tentou avançar sobre outro ponto sensível: o ICMS, imposto estadual que representa quase 20% do valor do diesel.
A resposta dos estados foi negativa. Governadores argumentam que cortar o imposto comprometeria o financiamento de serviços públicos — e que, historicamente, a redução nem sempre chega ao consumidor.
Diante da resistência, surgiu uma alternativa: zerar o ICMS sobre a importação do diesel até maio, com compensação parcial da União. A proposta ainda está em negociação e deve ser definida nos próximos dias.
A preocupação não é apenas com o combustível em si. O diesel é a base da logística brasileira. Quando sobe, o impacto se espalha — encarece o transporte, pressiona alimentos, produtos industriais e serviços.
Nos bastidores, o receio é claro: um novo ciclo de alta pode reacender pressões inflacionárias e até provocar reações de caminhoneiros, um fator historicamente sensível.
Segundo economistas, o impacto total pode parecer pequeno no papel, mas se espalha ao longo dos meses e contamina diversos setores da economia.
