A nova fase da Operação Vernix colocou a influenciadora e advogada Deolane Bezerra no centro de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Segundo os investigadores, mensagens apreendidas durante a apuração mencionam transferências financeiras para uma abreviação interpretada como referência à influenciadora. Além disso, comprovantes bancários teriam reforçado a suspeita de repasses feitos por uma transportadora usada pelo crime organizado.
De acordo com a polícia, a investigação teve início ainda em 2019. Na época, agentes penitenciários encontraram bilhetes escondidos em uma cela do presídio de Presidente Venceslau, no interior paulista. As anotações continham supostas ordens atribuídas aos irmãos Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Camacho Júnior.
A partir disso, investigadores passaram a monitorar uma transportadora que, segundo o Ministério Público, teria sido criada por “laranjas” para movimentar recursos do tráfico internacional de cocaína e lavar dinheiro da facção criminosa.
Mensagens apreendidas ampliaram suspeitas
Segundo a Polícia Civil, celulares apreendidos durante a investigação revelaram conversas sobre transferências bancárias. Em uma delas, um investigado chamado Everton teria determinado pagamentos para uma abreviação identificada pelos agentes como “Deo… Beze”.
“Foi identificado um número de conta bancária que, após análise, revelou a identidade de Deolane Bezerra”, afirmou um dos delegados responsáveis pelo caso.
Os investigadores também dizem ter encontrado comprovantes de depósitos feitos por Ciro César Lemos, apontado como operador financeiro da transportadora, em contas ligadas à influenciadora.
Um relatório financeiro da polícia aponta que mais de R$ 13 milhões passaram pelas contas pessoais de Deolane entre 2018 e 2022. Além disso, empresas registradas em nome dela teriam movimentado outros R$ 14 milhões no mesmo período.
Para a polícia, parte desses valores teria sido pulverizada em diversas contas e empresas consideradas suspeitas. A investigação ainda aponta indícios de empresas de fachada registradas em cidades próximas a Presidente Venceslau.
Defesa nega qualquer ligação com o PCC
Durante audiência de custódia, Deolane afirmou que os valores recebidos eram referentes à atuação como advogada e negou qualquer ligação com a transportadora investigada ou com o PCC.
Em nota, a defesa declarou que “não há nenhuma relação com crime organizado ou dinheiro de origem ilícita”. Os advogados também afirmaram que todos os rendimentos da influenciadora são compatíveis com suas atividades empresariais e devidamente declarados.
Segundo a investigação, Deolane chegou a ser monitorada com apoio da Interpol enquanto estava em Roma, na Itália, antes de retornar ao Brasil e ser presa. Atualmente, ela está detida no presídio feminino de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
