A Polícia Federal pediu nesta quinta-feira (23) a prisão preventiva de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei. A solicitação foi feita horas após o Superior Tribunal de Justiça conceder habeas corpus aos investigados, que estavam presos temporariamente desde o dia 15 de abril. O grupo é suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão.
No habeas corpus, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, considerou ilegal a prisão temporária decretada por 30 dias. O motivo foi simples: a própria PF havia solicitado prazo de apenas cinco dias, que já tinha se encerrado. Por essa razão, a manutenção das prisões não tinha mais respaldo legal.
Contudo, a Polícia Federal apresentou novos argumentos para justificar a conversão em prisão preventiva. Segundo a corporação, a análise de dispositivos eletrônicos, documentos e registros financeiros apreendidos na operação revelou elementos suficientes para a medida. A PF aponta risco de continuidade das atividades criminosas e possibilidade de interferência nas investigações, com destruição de provas ou alinhamento de versões entre os investigados.
Defesas criticam o pedido
A defesa de MC Ryan SP classificou a solicitação como “manifestamente extemporânea”. “Se presentes estivessem, desde antes, os requisitos da preventiva, por que não foi ela requerida no momento oportuno?”, questionou a equipe jurídica em publicação nas redes sociais. O advogado Felipe Cassimiro afirmou que a decisão do STJ reconhece a ilegalidade das prisões e que a consequência natural é a revogação imediata.
O advogado de Poze do Rodo, Fernando Henrique Cardoso Neves, seguiu a mesma linha. Disse que o novo pedido não apresenta fatos novos e criticou a condução do caso. Até a última atualização da reportagem, MC Ryan SP permanecia no Centro de Detenção Provisória Belém, na Zona Leste de São Paulo. A Secretaria de Administração Penitenciária não informou quando ele será solto.
A Operação Narco Fluxo, deflagrada no dia 15, investiga uma organização suspeita de lavar dinheiro por meio de bets ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, empresas de fachada, criptomoedas e remessas ao exterior. Segundo a PF, o grupo teria ligação com o envio de mais de três toneladas de cocaína para fora do país.
