A Polícia Federal abriu uma nova frente de investigação para apurar se recursos desviados de aposentadorias e pensões do INSS podem ter sido usados, de forma indireta, para custear viagens do empresário Fábio Luís Lula da Silva.
O ponto de partida foi um cruzamento de movimentações financeiras que chamou a atenção dos investigadores. O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes teria feito repasses milionários para a conta de uma empresária próxima ao círculo de Lulinha. Na sequência, parte desse dinheiro foi direcionada a uma agência de viagens que já havia sido utilizada pelo filho do presidente.
No papel, são operações distintas. Mas a coincidência de valores e datas levantou suspeitas.
Ao todo, a PF identificou transferências que somam cerca de R$ 1,5 milhão. No mesmo período, pagamentos de aproximadamente R$ 640 mil foram feitos à agência de viagens. É essa sequência que os investigadores agora tentam decifrar — se há conexão direta ou apenas sobreposição sem relação.
Uma mensagem interceptada também entrou no radar. Ao ser questionado sobre o destino de um pagamento, o empresário respondeu: “o filho do rapaz”. A frase, vaga, virou peça-chave da investigação — e também um enigma. A PF tenta identificar a quem ele se referia.
Até o momento, não há registro de transferência direta para Lulinha. A quebra de sigilo bancário não encontrou pagamentos ao empresário, o que reforça a hipótese de uso de intermediários, prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro.
A empresária que recebeu os valores, Roberta Luchsinger, afirma que os pagamentos são legítimos e ligados a serviços prestados. Já a defesa de Lulinha diz que ele não tem qualquer relação com os fatos e classifica as suspeitas como infundadas.
Nos bastidores, a investigação ainda trata o caso com cautela. Há uma linha sendo seguida — mas também muitas peças ainda fora do lugar.
