Um novo estudo revelou um comportamento inusitado das moscas-das-frutas. Machos que consomem pequenas quantidades de álcool tornam-se mais atraentes para as fêmeas. Com isso, aumentam significativamente suas chances de reprodução. A pesquisa foi publicada na revista Science Advances e muda a forma como a ciência interpreta esse comportamento.
Até então, acreditava-se que os machos rejeitados buscavam no álcool uma espécie de compensação emocional. Ou que o consumo estaria ligado a uma busca por prazer. No entanto, os pesquisadores descobriram que, ao ingerirem álcool, os machos passam a liberar mais feromônios — substâncias químicas responsáveis por atrair parceiros sexuais.
Segundo Bill Hansson, cientista do Instituto Max Planck, esse comportamento não é motivado por emoções. É uma estratégia biológica.
Ele critica as interpretações anteriores por serem antropomórficas demais. Em vez de projetar sentimentos humanos nos insetos, o novo estudo mostra que o álcool tem uma função objetiva no ciclo reprodutivo da espécie.
Outro ponto importante foi a descoberta de três áreas cerebrais que controlam a reação ao álcool. Duas estimulam a atração por pequenas doses. A terceira atua como um freio, impedindo que a mosca se intoxique. Dessa forma, o cérebro equilibra risco e benefício, aproveitando o efeito atrativo sem comprometer a sobrevivência.
O álcool mais eficiente na liberação de feromônios foi o metanol, presente em frutas em decomposição — fonte alimentar comum para essas moscas. O comportamento foi ainda mais evidente entre machos virgens, que nunca haviam acasalado. Eles foram os que mais procuraram o álcool e os que mais emitiram sinais químicos.
A pesquisa combinou testes cerebrais, análises químicas e observações comportamentais. Os cientistas concluíram que o consumo de álcool é parte de uma estratégia evolutiva. Ele serve como vantagem na disputa por parceiras e não tem relação com prazer ou vício, como se pensava.