O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, evitou confirmar ou desmentir um suposto ataque militar dos Estados Unidos em território venezuelano. A declaração foi feita nesta quinta-feira, após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que forças dos EUA destruíram uma área usada por embarcações ligadas ao narcotráfico.
Segundo Maduro, o assunto “pode ser tema para uma conversa em alguns dias”. Ainda assim, ele disse que o sistema defensivo nacional segue garantindo a integridade territorial do país. Além disso, afirmou que a população venezuelana permanece em segurança.
Apesar do tom cauteloso, o líder venezuelano declarou estar aberto ao diálogo com Washington. No entanto, ressaltou que as ações recentes dos EUA não contribuíram para um ambiente de confiança entre os dois governos.
Contexto de operações militares no Caribe
As declarações ocorrem em meio à intensificação das operações militares americanas no Caribe. Desde agosto, os Estados Unidos enviaram uma flotilha naval para a região. Desde então, quase 30 embarcações suspeitas de tráfico de drogas foram atacadas, segundo autoridades americanas.
Na terça-feira, o Comando Sul informou que outras três embarcações foram atingidas em águas internacionais. De acordo com Washington, os barcos viajavam em comboio. Uma autoridade dos EUA afirmou que oito pessoas abandonaram as embarcações e seguem desaparecidas.
Enquanto isso, Caracas sustenta que essas operações têm como objetivo enfraquecer o regime venezuelano. Ainda assim, os EUA não divulgaram detalhes sobre a localização do suposto ataque citado por Trump.
Especulações e reação regional
A falta de informações oficiais alimentou especulações nas redes sociais. Um incêndio em armazéns da empresa Primazol, em Maracaibo, passou a ser apontado como possível alvo da ação militar. A companhia, porém, negou qualquer ligação com o narcotráfico.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, chegou a afirmar que uma fábrica usada para o processamento de cocaína teria sido bombardeada. A declaração foi rebatida publicamente pela empresa citada.
Diálogo, sanções e próximos passos
Maduro afirmou que não conversa com Trump desde uma ligação telefônica em novembro. Segundo ele, o contato foi cordial. Depois disso, porém, os EUA ampliaram sanções, intensificaram ações contra navios com petróleo venezuelano e restringiram o espaço aéreo do país.
Mesmo assim, o presidente venezuelano disse que está disposto a negociar. Ele citou possíveis acordos nas áreas de petróleo, migração e combate ao narcotráfico. Também defendeu a retomada de um convênio para deportação de venezuelanos sem documentos.
