IPCA-15 sobe 0,84% em fevereiro e educação lidera pressão sobre os preços

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By LatAm Reports Redatores da Equipe

A prévia da inflação oficial acelerou em fevereiro e veio acima do esperado pelo mercado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,84% no mês, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço foi o maior para fevereiro desde 2025, quando o indicador havia subido 1,23%.

Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 1,04% em 2026 e de 4,10% em 12 meses. Apesar disso, o acumulado anual ficou abaixo dos 4,50% observados no período imediatamente anterior.

O dado surpreendeu analistas. As projeções indicavam variação entre 0,56% e 0,57% no mês. Ainda assim, parte da pressão é considerada sazonal.

Educação puxa inflação no início do ano letivo

O grupo Educação foi o principal responsável pela alta de fevereiro. A variação chegou a 5,20%, com impacto de 0,32 ponto percentual no índice geral. O movimento é típico do início do ano, quando escolas e cursos reajustam mensalidades.

Os maiores aumentos ocorreram no ensino médio (8,19%), no ensino fundamental (8,07%) e na pré-escola (7,49%). Embora esperado, o reajuste ajudou a elevar o indicador acima das estimativas.

Transportes também pressionaram. O grupo avançou 1,72% no mês. As passagens aéreas dispararam 11,64%, enquanto os combustíveis subiram, em média, 1,38%. O etanol teve alta de 2,51%, a gasolina de 1,30% e o diesel de 0,44%. O gás veicular foi exceção, com queda de 1,06%.

Além disso, tarifas de metrô, trem, ônibus e táxi foram reajustadas em capitais como São Paulo, Brasília, Fortaleza, Salvador e Rio de Janeiro.

No grupo Saúde e cuidados pessoais, os preços subiram 0,67%, impulsionados por produtos de higiene (0,91%) e planos de saúde (0,49%).

Já Alimentação e bebidas registrou alta mais moderada, de 0,20%. Dentro de casa, os alimentos avançaram 0,09%. O tomate subiu 10,09% e as carnes 0,76%. Por outro lado, arroz (-2,47%), frango em pedaços (-1,55%) e frutas (-1,33%) ficaram mais baratos. Comer fora ficou 0,46% mais caro.

Habitação teve leve alta de 0,06%, influenciada por água e esgoto (1,97%) e aluguel residencial (0,32%). Em contrapartida, a energia elétrica caiu 1,37%, ajudando a conter o índice.

Economistas avaliam que o resultado trouxe sinais mistos. Embora tenha vindo acima do esperado, parte da pressão é concentrada em itens sazonais. Para analistas de mercado, a tendência ainda é de desaceleração gradual ao longo do ano.

Mesmo assim, o dado reforça a atenção do Banco Central. A Selic está em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. Ainda há expectativa de que os juros comecem a cair em março, mas o ritmo dependerá da trajetória da inflação.