O avanço da CPMI do INSS mudou o clima em Brasília e acendeu o sinal de alerta tanto no governo Lula quanto entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A aprovação da quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi interpretada nos bastidores como o rompimento de uma trégua informal que vinha evitando embates diretos entre os dois campos políticos.
Até recentemente, a comissão era vista como esvaziada e com pouca capacidade de produzir fatos novos. No entanto, a votação que autorizou medidas contra o filho do presidente deu novo fôlego às investigações e reposicionou o colegiado no centro do debate político.
Governistas classificaram o movimento como derrota relevante na articulação. A leitura interna é que, embora houvesse maioria numérica, a condução dos trabalhos favoreceu a oposição. Nos corredores do Congresso, a percepção é de que o foco técnico da comissão passou a dividir espaço com a antecipação do embate eleitoral de 2026.
A mudança de cenário ganhou força após decisões do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele autorizou o compartilhamento de dados e, na esfera judicial, a quebra de sigilos relacionados a Fábio Luís. A medida atendeu a pedido da Polícia Federal, que apontou indícios a serem aprofundados.
Segundo a investigação, há menções a repasses financeiros envolvendo empresa ligada ao chamado “Careca do INSS” e a empresária Roberta Luchsinger. Em mensagens apreendidas, um dos pagamentos é citado como destinado ao “filho do rapaz”. O nome não aparece explicitamente, mas investigadores trabalham com a hipótese de que a referência seja a Fábio Luís. A empresária nega irregularidades.
A Polícia Federal sustentou a existência de indícios suficientes para justificar as medidas cautelares. O ministro considerou que os elementos apresentados atendiam aos requisitos legais para autorizar o acesso aos dados.
No Congresso, a base governista avalia recorrer ao presidente do Senado para questionar a decisão da CPMI. Contudo, interlocutores admitem que o ambiente político se tornou mais instável, com o custo de articulação aumentando.
O episódio também reforça o papel do Judiciário e da Polícia Federal na condução das investigações. Integrantes do governo destacam que o próprio presidente já afirmou que eventuais irregularidades devem ser apuradas e punidas, caso comprovadas.
Com a comissão tendo prazo até o fim de março para concluir os trabalhos, o ritmo das próximas semanas será decisivo. A depender dos desdobramentos, o tema pode influenciar o debate público já em 2026.
