O Ministério Público de São Paulo investiga repasses de mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo feitos pelo Corinthians ao ex-chefe de segurança do clube, João Odair de Souza, conhecido como Caveira. Os pagamentos ocorreram entre 2018 e 2023, durante as gestões de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves.
De acordo com planilhas entregues pelo próprio clube ao MP, os valores foram retirados em espécie ao longo dos anos. Parte significativa dessas quantias não teria sido acompanhada por notas fiscais ou recibos que comprovassem a destinação dos recursos, o que levantou questionamentos na investigação.
Após atualização monetária, o promotor responsável pelo caso estima que o montante ultrapasse R$ 7,3 milhões em valores corrigidos.
Justificativa do ex-funcionário
Em contato com a imprensa, Caveira confirmou que recebia dinheiro em espécie e afirmou que os valores eram usados, principalmente, para pagar seguranças freelancers contratados em jogos, eventos esportivos e situações de protesto no CT ou no Parque São Jorge.
Segundo ele, muitos profissionais atuavam de forma autônoma, inclusive policiais em horários de folga, o que dificultaria a emissão de notas fiscais. O ex-chefe de segurança também declarou que prestava contas ao departamento financeiro do clube e que nunca teve suas movimentações questionadas pelo Conselho Fiscal.
As planilhas apontam que houve dias com mais de uma retirada de valores. Em alguns casos, as quantias foram elevadas, como um repasse superior a R$ 129 mil em outubro de 2023. Em outras situações, os saques foram menores.
Outras frentes de apuração
A investigação sobre pagamentos em espécie ganhou força após revelações sobre gastos pessoais na gestão de Duilio. Em outro inquérito, o Ministério Público apura repasses superiores a R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo a um ex-motorista ligado à presidência do clube, com suspeita de uso de empresas de fachada.
Até o momento, Caveira foi formalmente classificado como investigado em um dos procedimentos, mas ainda não prestou depoimento. A defesa de Andrés Sanchez e o ex-presidente Duilio Monteiro Alves não haviam se manifestado até a última atualização do caso.
A apuração segue em andamento.
