Coaf aponta movimentações de R$ 43 milhões ligadas a escritório de Ibaneis

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou duas operações financeiras que somam quase R$ 43 milhões envolvendo o escritório de advocacia ligado ao governador Ibaneis Rocha e um fundo de investimentos sob suspeita.

As transações ocorreram em novembro de 2023 e envolvem um fundo administrado pela Reag Investimentos, empresa investigada por possível participação em esquemas financeiros irregulares ligados ao Banco Master.

Os valores identificados são de R$ 32,5 milhões e R$ 10,3 milhões, conforme documentos do Relatório de Inteligência Financeira (RIF).

Contexto das investigações

Segundo as apurações, os repasses ocorreram antes da Operação Compliance Zero e da liquidação de instituições financeiras envolvidas nas investigações.

A Reag entrou na mira de autoridades por suspeitas de estruturar fundos usados para movimentações consideradas atípicas, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.

Além disso, a empresa também é investigada em outra operação que apura possível uso de fundos para ocultação de recursos ligados ao crime organizado.

Outro ponto relevante é a ligação indireta com o Banco de Brasília, que chegou a injetar R$ 16,7 bilhões no Banco Master em uma tentativa de aquisição posteriormente barrada pelo Banco Central.

Oposição reage e pede investigação

Diante das revelações, parlamentares da oposição no Distrito Federal acionaram o Ministério Público pedindo investigação contra Ibaneis Rocha.O deputado distrital Fábio Felix solicitou apuração por possível improbidade administrativa e também o bloqueio de bens do governador.

Segundo o parlamentar, há indícios de enriquecimento ilícito, dano ao erário e possível uso de informação privilegiada.

A defesa de Ibaneis afirma que ele não participa do escritório de advocacia desde 2018, quando assumiu o governo do DF.

Segundo a nota, o governador não teve envolvimento nas negociações citadas. O próprio escritório declarou que recebeu apenas cerca de R$ 4 milhões de um contrato maior, que previa a cessão de honorários advocatícios a um fundo.

A Reag e o BRB informaram que não irão se manifestar sobre o caso.

O episódio amplia a pressão política sobre o governo do Distrito Federal, especialmente em meio às investigações envolvendo o sistema financeiro e a tentativa frustrada de aquisição do Banco Master.