O Banco de Brasília aprovou nesta quarta-feira (22) o aumento do capital social em até R$ 8,8 bilhões. A decisão foi tomada durante assembleia com acionistas. O objetivo é recompor o balanço patrimonial da instituição, fragilizado após a compra de cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master — operação que hoje é investigada sob suspeita de fraude.
“Isso é muito importante e já demonstra que o banco tem um cronograma para integralização do capital no prazo de 29 de maio. Grande passo”, declarou o presidente do BRB, Nelson Souza. O aumento de capital abre espaço para uma injeção de recursos no banco. Na prática, permite expandir operações com ações, fundos ou empréstimos. Além disso, viabiliza medidas já anunciadas pelo governo do Distrito Federal, como o uso de imóveis públicos como garantia para empréstimos e o pedido de crédito ao Fundo Garantidor de Créditos.
O governo do DF controla 53% do BRB. Por essa razão, terá de aportar pelo menos R$ 4 bilhões para acompanhar a capitalização. A assembleia também homologou a indicação do atual presidente e do executivo Joaquim Lima de Oliveira como conselheiros da instituição — formalização pendente desde o fim do ano passado.
Acordo de R$ 15 bilhões com a Quadra Capital
Na segunda-feira (20), o BRB anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital. A operação prevê a criação de um fundo de investimento para transferência de ativos que o banco recebeu do Master. O valor de referência chega a R$ 15 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista. O restante será convertido em cotas subordinadas do fundo, que ficará responsável por administrar e monetizar os ativos.
A governadora Celina Leão comentou o acordo na terça-feira (21). Segundo ela, a negociação demonstra “responsabilidade e seriedade” no tratamento da crise.
A crise começou com a aquisição de aproximadamente R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master. As operações fragilizaram o capital mínimo prudencial do BRB — a reserva de segurança que todo banco precisa manter para cobrir emergências e respeitar as regras de solidez bancária. O Banco Central barrou a tentativa de compra do Master pelo BRB e intensificou o monitoramento da instituição.
O Master acabou sendo liquidado pelo BC após investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. Por consequência, o balanço patrimonial do BRB piorou e colocou em xeque o cumprimento das exigências regulatórias. Mesmo com a direção afirmando possuir solidez e um plano de capital estruturado, o mercado segue desconfiado.
