Uma tragédia registrada em Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, abriu um debate sobre segurança e uso correto das ciclovias urbanas. A Polícia Civil passou a investigar duas mulheres por homicídio culposo após a morte de um ciclista que se envolveu em um acidente na última semana enquanto trafegava por uma ciclofaixa da cidade.
O caso ganhou repercussão depois que novas imagens analisadas pelos investigadores mostraram as duas mulheres caminhando e tirando fotografias em um espaço destinado exclusivamente à circulação de bicicletas momentos antes da colisão.
Investigação aponta que ciclista caiu na pista após impacto
Segundo a apuração da Polícia Civil, Cleocir Jorge dos Santos, de 54 anos, pedalava pela ciclofaixa localizada na Avenida Brasil Oeste, no bairro Boqueirão, quando teria atingido as duas mulheres que estavam no trajeto.
Com o impacto, o ciclista perdeu o equilíbrio, caiu na pista de rolamento e acabou sendo atropelado por um veículo que passava pelo local. Ele não resistiu aos ferimentos.
As duas mulheres, que residem em Carazinho, cidade vizinha a Passo Fundo, passaram oficialmente à condição de investigadas por homicídio culposo — quando não existe intenção de provocar a morte. De acordo com a polícia, elas deverão prestar depoimento nos próximos dias.
As imagens analisadas pela investigação indicam que as mulheres utilizavam a ciclofaixa para fazer registros fotográficos destinados às redes sociais.
Familiares de Cleocir afirmam que situações semelhantes eram frequentes no local. Segundo relatos, o ciclista costumava comentar sobre a presença constante de pedestres em áreas reservadas para bicicletas.
“Ele sempre comentava que tinha problemas com pedestres na ciclovia. Um dia quase caiu, no outro quase atropelou. Era uma situação recorrente”, relatou um familiar.
A cidade de Passo Fundo possui mais de 37 quilômetros de infraestrutura cicloviária distribuída entre avenidas e parques. Em áreas mais recentes, ciclistas e pedestres contam com espaços separados. Já em trechos mais antigos, a divisão nem sempre é clara, aumentando os riscos de acidentes.
A prefeitura reforçou que, nos locais onde a sinalização determina uso exclusivo para bicicletas, pedestres devem utilizar as calçadas e passeios públicos.
A morte de Cleocir reacendeu discussões sobre conscientização, respeito à sinalização e convivência segura entre ciclistas e pedestres nos espaços urbanos. Conhecido por utilizar a bicicleta regularmente para atividades físicas e cuidados com a saúde, ele era descrito por familiares como alguém que mantinha uma rotina ativa e disciplinada.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
