Uma operação da Polícia Federal colocou no centro das investigações uma família de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, suspeita de integrar um esquema de tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, o grupo teria acumulado um patrimônio milionário incompatível com a renda oficialmente declarada, incluindo imóveis de alto padrão, veículos importados, embarcações, cavalos de raça e um motorhome avaliado em cerca de R$ 1,2 milhão.
A ação, batizada de Operação Mens Occulta, foi deflagrada na terça-feira (2) e mobilizou 230 policiais federais em três estados. De acordo com a PF, a investigação durou cerca de dois anos e identificou uma estrutura que teria sido responsável pelo transporte de cocaína oriunda do Paraguai para diferentes regiões do país.
PF aponta movimentação de R$ 70 milhões e apreensões de quase 3 toneladas de cocaína
Segundo a Polícia Federal, Mario Sergio Nunes e suas filhas, Brenda da Silva Nunes e Bruna Nunes, seriam figuras centrais da organização investigada. Brenda, que atua como advogada, foi apontada pelos investigadores como braço direito do pai dentro da suposta estrutura criminosa. Ela foi presa ao lado de Mario em um hotel na cidade de Uberaba durante o cumprimento dos mandados judiciais. A outra filha era considerada foragida até a última atualização da investigação.
As autoridades afirmam que a droga entrava no Brasil pela fronteira com o Mato Grosso do Sul, escondida em caminhões de carga. Após chegar a Uberlândia, a cocaína era distribuída para outros estados. Ao longo das apurações, a PF relacionou o grupo à apreensão de aproximadamente 2,9 toneladas de cocaína em 11 flagrantes distintos.
Os investigadores também identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. Relatórios de inteligência financeira apontam cerca de R$ 70 milhões movimentados sem origem econômica compatível nos últimos cinco anos.
De acordo com a PF, parte dos recursos teria sido utilizada na compra de ranchos às margens da Represa de Miranda, apartamentos, motos aquáticas, carros importados e cavalos utilizados em competições equestres. O motorhome de luxo apreendido durante a operação também chamou atenção dos investigadores. Segundo o delegado responsável pelo caso, o veículo era utilizado com frequência em viagens para eventos de três tambores no interior de São Paulo.
A suspeita é de que empresas de fachada tenham sido utilizadas para ocultar a origem dos recursos obtidos com o tráfico. O nome da operação, “Mens Occulta”, expressão em latim que significa “mente oculta”, faz referência à estratégia atribuída ao suposto líder do grupo, que, segundo a PF, buscava manter distância da exposição direta das atividades ilegais.
Os mandados foram cumpridos em cidades de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Ao todo, a Justiça Federal autorizou 25 mandados de prisão preventiva e 49 de busca e apreensão. Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
