O ministro Flávio Dino, do STF, cobrou nesta quarta-feira (20) explicações da Câmara dos Deputados sobre a viagem do deputado Mario Frias (PL-SP) ao exterior. O magistrado enviou ofício ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e determinou prazo de 48 horas para a resposta. Ele quer saber prazo, custos e pagamentos referentes à “missão internacional” que Frias afirma estar cumprindo.
O deputado viajou ao Bahrein na semana passada. Segundo ele, o objetivo era “fortalecer relações bilaterais” entre Brasil e o país do Oriente Médio. Contudo, Frias ainda não retornou ao Brasil. Há mais de um mês, um oficial de Justiça tenta notificá-lo sobre uma ação no STF — sem sucesso.
A Câmara confirmou ter recebido o ofício de Dino. Segundo a Casa, Frias apresentou dois pedidos de missão internacional sem ônus para a Câmara. O primeiro era para o Bahrein, entre 12 e 18 de maio. O segundo, para Dallas, nos Estados Unidos, entre 19 e 21 de maio. Todavia, nenhum dos dois foi autorizado.
Por que Dino quer encontrar Frias
O deputado é produtor executivo do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro financiada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Além disso, Frias teria destinado R$ 2 milhões em emendas parlamentares para o Instituto Conhecer Brasil, ONG presidida por Karina Ferreira da Gama — que também é produtora do filme.
Em março, Dino determinou que Frias se manifestasse em cinco dias sobre os fatos relatados pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) em ação no STF. Em abril, o oficial de Justiça fez três tentativas no gabinete parlamentar, sem sucesso. Por essa razão, Dino pediu que a Câmara informasse os endereços do deputado em Brasília e São Paulo.
Na semana passada, novas buscas foram realizadas. O endereço fornecido pela Câmara ao STF, porém, não é mais do parlamentar há dois anos. O gabinete informou que Frias estava em missão internacional e que “não havia informação sobre a data de retorno”. Diante disso, o oficial devolveu o mandado a Dino.
Na última sexta-feira (15), o ministro abriu apuração preliminar sobre a destinação de emendas de deputados do PL a ONGs ligadas à produtora do filme sobre Bolsonaro. Outrossim, o caso se conecta à revelação de que Vorcaro pagou R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse” — valor que superou o dobro do orçamento de “O Agente Secreto”, indicado ao Oscar.
