A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do ex-governador do Rio Cláudio Castro nesta sexta-feira (15). A operação investiga a suposta ligação dele com uma fraude fiscal bilionária do grupo Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos. A empresa é considerada uma das maiores devedoras de impostos do país.
A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ao todo, foram 17 mandados de busca e sete medidas de afastamento de função pública. A ação ocorreu no âmbito da ADPF das Favelas, que trata da atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro.
Castro estava em casa com a esposa, Analine, e os dois filhos quando os agentes chegaram. Segundo o advogado Carlo Luchione, foi o próprio ex-governador quem abriu a porta. Um celular e um tablet foram apreendidos. Após cerca de três horas, as equipes deixaram o local com malotes. Por essa razão, a defesa disse que busca acesso à decisão para entender o contexto da operação.
O que a PF investiga
Segundo a Polícia Federal, a Refit teria usado sua estrutura societária e financeira para ocultar patrimônio, dissimular bens e enviar recursos ao exterior. Contudo, a defesa de Castro nega qualquer ligação do ex-governador com a empresa.
Em nota, os advogados afirmaram que todos os procedimentos durante a gestão seguiram “critérios técnicos e legais”. Além disso, destacaram que a administração de Castro foi “a única” a conseguir que a Refit pagasse dívidas com o estado. Segundo a defesa, o valor das parcelas se aproxima de R$ 1 bilhão. Todavia, o parcelamento está suspenso por decisão do Tribunal de Justiça do Rio. Outrossim, a Procuradoria-Geral do Estado teria movido diversas ações contra a empresa ao longo da gestão.
A situação política do Rio
O Rio de Janeiro segue em crise institucional. Atualmente, o estado é governado de forma interina pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça. Castro renunciou ao cargo em 23 de março — um dia antes de o TSE retomar o julgamento que resultou na sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico.
O vice-governador Thiago Pampolha também havia deixado o cargo anteriormente. O STF ainda não concluiu o julgamento sobre a forma de escolha do próximo governador — se por eleição direta ou indireta. Mesmo inelegível e agora investigado, Castro pretende se lançar candidato ao Senado nas eleições de outubro.
