Uma mensagem encontrada no celular de Márcia Garcia, mulher de Marcinho VP, revelou a conexão da família com Edgar Alves de Andrade, o Doca. Ele é um dos chefes do Comando Vermelho. Na conversa, Márcia pede que “Preto” busque R$ 10 mil com “DC” — sigla que, segundo a polícia, se refere a Doca.
“Vai no DC. Preciso pagar o cartão. Emprestado. Para mim. Pedir 10”, escreveu a empresária. De acordo com os investigadores, “Preto” é Mauro Nepomuceno, o rapper Oruam, filho de Márcia. Ele responde de forma direta: “Vou lá.”
A mensagem foi interceptada durante investigações que duraram cerca de um ano. Por essa razão, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) deflagrou nesta quarta-feira (29) uma nova fase da Operação Contenção. A ação mira a estrutura financeira do CV e o esquema de lavagem de dinheiro da facção. Ao todo, 12 mandados de prisão preventiva foram expedidos.
Marcinho VP está preso há quase 30 anos. Mesmo assim, segundo a polícia, ele segue obtendo dinheiro ilícito do tráfico e mantém influência direta na hierarquia do Comando Vermelho. “A família dele usufrui, gerencia, lava e oculta esse dinheiro por meio de imóveis e comércios”, afirmou a delegada Iasminy Vergetti.
Além de Marcinho VP, são alvos da operação Márcia, Oruam e o irmão Lucas Nepomuceno, o Lucca. Oruam já era foragido desde fevereiro por violar regras da tornozeleira eletrônica. Anteriormente, Márcia havia sido alvo de prisão em março, mas não foi encontrada. No início de abril, a Justiça chegou a conceder habeas corpus a ela. Contudo, a nova fase trouxe um mandado inédito.
Agentes estiveram em dois endereços de Oruam — uma casa na Freguesia, em Jacarepaguá, e uma mansão em Angra dos Reis. Todavia, o rapper não foi localizado. As casas de Lucca, no Recreio dos Bandeirantes, e de Márcia, em Jacarepaguá, também foram vasculhadas sem sucesso.
Apenas um homem foi preso. Carlos Alexandre Martins da Silva, apontado como operador financeiro do CV, foi encontrado no Morro do Adeus, no Complexo do Alemão. Além dele, chefões da facção que já eram foragidos em outros processos constam na lista de procurados: Sam da CDD, Doca, 2D, Pezão e Abelha.
Segundo a DRE, os suspeitos tinham movimentações financeiras incompatíveis com as rendas declaradas. Os recursos do tráfico eram fragmentados em contas de terceiros e usados para compra de bens e ocultação patrimonial. Por conseguinte, a operação busca desmontar toda a engrenagem financeira do Comando Vermelho.
O advogado de Márcia afirmou que ela é primária, não tem antecedentes e exerce atividade lícita. As defesas de Oruam, Lucca e Carlos Alexandre disseram que não tiveram acesso aos autos. A Operação Contenção já resultou em mais de 300 capturados, cerca de 470 armas apreendidas — incluindo 190 fuzis — e mais de 51 mil munições recolhidas.
