Desemprego sobe para 6,1% no primeiro trimestre, mas bate recorde positivo para o período

A taxa de desemprego no Brasil fechou o trimestre encerrado em março em 6,1%. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (30) pelo IBGE, por meio da PNAD Contínua. Apesar da alta em relação ao trimestre anterior, o resultado é o menor já registrado para esse período do ano desde o início da série histórica, em 2012.

O número de pessoas sem trabalho chegou a 6,6 milhões. Em comparação com o trimestre anterior, houve aumento de 19,6% — o equivalente a 1,1 milhão de pessoas a mais na fila do desemprego. Contudo, na comparação com o mesmo período de 2025, o cenário é diferente. Houve queda de 13%, com 987 mil desocupados a menos.

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, a variação está ligada a fatores típicos do início do ano.

“No comércio, a perda de pessoal se concentrou em ocupações como vendedores e balconistas. Houve também um movimento na educação fundamental, ligado ao ciclo de contratos temporários”, explicou.

O total de ocupados somou 102 milhões. Esse contingente recuou 1% no trimestre. Todavia, avançou 1,5% na comparação anual. O emprego com carteira assinada ficou estável em 39,2 milhões e cresceu 1,3% em um ano. Por sua vez, a informalidade atingiu 38,1 milhões de trabalhadores — o equivalente a 37,3% da população ocupada. O índice recuou tanto no trimestre quanto na comparação anual.

A renda seguiu em alta e bateu recorde. O ganho médio habitual chegou a R$ 3.722, com avanço de 5,5% em um ano. Além disso, a massa de renda somou R$ 374,8 bilhões — maior valor já registrado. Os setores que mais puxaram o crescimento foram comércio, administração pública, construção e serviços domésticos.

A população desalentada — pessoas que desistiram de procurar emprego — ficou em 2,7 milhões. Esse grupo recuou 15,9% em um ano, com 509 mil pessoas a menos. Por essa razão, mesmo com a alta sazonal do desemprego, os indicadores de longo prazo seguem positivos.

Economistas avaliam o cenário com cautela. André Valério, do Inter, identifica uma desaceleração gradual. “A taxa ajustada alcançou 5,7% em março, o maior valor desde setembro de 2025”, afirmou.

Mesmo assim, a renda segue em alta e sustenta o consumo. Para Maykon Douglas, a massa salarial voltou a se acelerar, com crescimento real próximo de 6,4% em base anual. A expectativa para os próximos meses é de moderação — sem reversão brusca, mas com ritmo menos intenso de crescimento.