A Justiça italiana acolheu nesta quinta-feira (16) mais um pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. A decisão se refere à condenação por porte ilegal de arma de fogo, caso que remonta à véspera do segundo turno das eleições de 2022. Com isso, já são dois pedidos de extradição aceitos pela Justiça do país europeu, o que aumenta as chances de retorno da ex-parlamentar ao Brasil.
A informação foi confirmada pelo embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza. Da decisão, ainda cabe recurso. O advogado italiano de Zambelli, Pieremílio Sammarco, disse ter recebido a sentença com surpresa. Segundo ele, o tribunal sempre indicou que os casos seriam julgados de forma unificada. Contudo, a separação dos processos não foi comunicada previamente à defesa. Sammarco anunciou que vai recorrer imediatamente ao Supremo Tribunal de Cassação.
O episódio que originou a condenação aconteceu em outubro de 2022. Zambelli perseguiu, armada com uma pistola, um homem pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma discussão política. As imagens viralizaram e levaram à abertura de investigação no STF. Ela foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma.
Dois pedidos aceitos, decisão final com o governo italiano
Em março, a Justiça italiana já havia autorizado a extradição em outro processo — o da invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Nesse caso, as investigações apontaram que Zambelli atuou em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos na base de dados do CNJ, incluindo um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Ela foi condenada a 10 anos de prisão por esse crime. Todavia, a defesa entrou com recurso no dia 10 de abril para tentar reverter essa decisão. O pedido ainda não foi analisado.
Zambelli tem cidadania italiana e deixou o Brasil em maio do ano passado pela fronteira com a Argentina. Antes de chegar à Itália, também passou pelos Estados Unidos. Por essa razão, é considerada foragida da Justiça brasileira. Ela está presa em um presídio nos arredores de Roma desde 29 de julho de 2025. As autoridades italianas mantêm a prisão por entenderem que há risco de fuga.
Após o esgotamento dos recursos na Justiça, a palavra final sobre a extradição caberá ao governo italiano. O Ministério da Justiça da Itália é quem avalia os elementos e decide pela entrega. Brasil e Itália possuem um tratado recíproco de extradição em vigor desde 1993. O primeiro artigo do acordo obriga os dois países a entregar pessoas procuradas — seja para julgamento, seja para cumprimento de pena.
