A transferência de Daniel Vorcaro para uma cela mais ampla na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, chamou atenção nos bastidores políticos e jurídicos nesta semana. O banqueiro, investigado no caso envolvendo o Banco Master, agora ocupa um espaço que já foi utilizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua prisão.
A mudança ocorreu após decisão do ministro André Mendonça, que atendeu a um pedido da defesa. Até então, Vorcaro estava em uma cela menor dentro do mesmo prédio. Antes disso, ele havia passado pela Penitenciária Federal de Brasília, onde ficou em condições mais restritivas.
A nova acomodação tem cerca de 12 metros quadrados e é conhecida como “sala de Estado”, um espaço destinado a autoridades. O ambiente conta com cama, mesa, cadeira e banheiro privativo. Além disso, possui itens como ar-condicionado, armário e frigobar. Quando Bolsonaro esteve no local, também havia televisão, embora não haja confirmação se o equipamento permanece disponível.
Um contraste com as condições anteriores
A diferença em relação às etapas anteriores da custódia é significativa. Na penitenciária federal, Vorcaro estava em uma cela isolada de aproximadamente 6 metros quadrados, com estrutura básica e regras mais rígidas. Já ao chegar à Superintendência da PF, foi inicialmente colocado em um espaço intermediário, com menos de 9 metros quadrados.
Agora, com a nova decisão, o banqueiro passa a ocupar um ambiente mais confortável dentro dos padrões do sistema, ainda que sob custódia. A Polícia Federal, em um primeiro momento, havia resistido à mudança, avaliando que ele não deveria receber o mesmo tratamento dado a um ex-chefe de Estado.
A defesa recorreu dessa avaliação. Com isso, Mendonça autorizou a transferência para o espaço maior, dentro da própria unidade.
Delação entra no radar das investigações
Nos bastidores, a movimentação também coincide com um possível avanço nas negociações para um acordo de colaboração. Segundo informações apuradas pela TV Globo, a defesa de Vorcaro sinalizou interesse em discutir uma delação premiada com a Polícia Federal.
O caso, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, envolve suspeitas de fraudes financeiras, pagamentos indevidos a agentes públicos e até a formação de uma estrutura paralela para monitoramento de autoridades e jornalistas.
Embora a defesa não tenha comentado oficialmente, o histórico recente de investigações no Brasil indica que mudanças nas condições de custódia podem ocorrer paralelamente a tratativas desse tipo. Ainda assim, não há confirmação de que um acordo será firmado.
Vorcaro foi preso durante a mais recente fase da Operação Compliance Zero. Desde então, o material apreendido — incluindo celulares e documentos — segue sob análise da Polícia Federal.
