Em meio à escalada dos preços dos combustíveis, o novo ministro da Fazenda tenta ganhar tempo — e apoio político. Em seu primeiro dia no cargo, Dario Durigan afirmou que o governo ainda aguarda uma resposta dos estados sobre a proposta de zerar o ICMS do diesel importado, enquanto busca evitar que a alta do petróleo se transforme em uma nova pressão inflacionária no país.
A declaração veio poucas horas após sua nomeação, oficializada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durigan assume o posto após a saída de Fernando Haddad, que deixou o ministério para disputar o governo de São Paulo.
Segundo o novo ministro, a proposta em análise prevê zerar o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio. Em contrapartida, a União se compromete a compensar metade das perdas de arrecadação dos estados, em uma conta estimada em R$ 3 bilhões por mês. Desse total, cerca de R$ 1,5 bilhão seria bancado pelo governo federal.
A medida, no entanto, ainda depende de adesão dos governos estaduais — e enfrenta resistência. Sem um consenso, o plano corre o risco de travar, justamente em um momento em que o preço do diesel dispara e começa a pressionar toda a cadeia econômica.
Um cenário de pressão e incerteza
Durigan adotou um tom cauteloso, mas firme. Disse confiar em um acordo, mas deixou claro que o governo trabalha com alternativas caso os estados não avancem na proposta. Segundo ele, há uma “série de medidas” prontas para serem acionadas, dependendo da evolução do cenário internacional.
A preocupação faz sentido. A guerra no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e já impacta diretamente o custo do diesel no Brasil. Como resultado, o combustível — essencial para o transporte de cargas — se tornou um dos principais vetores de pressão sobre a inflação.
Ainda assim, o ministro afirmou que o impacto da crise externa será controlado. Segundo ele, o objetivo é evitar que caminhoneiros, empresas e consumidores sintam um efeito mais profundo no bolso.
Além disso, Durigan também tentou afastar um dos principais temores do mercado: o risco de desabastecimento. Questionado sobre alertas feitos por importadores e distribuidoras, ele afirmou que não há risco de falta de diesel no país, mesmo diante da defasagem de preços em relação ao mercado internacional.
Nos bastidores, a estratégia do governo combina negociação política com medidas emergenciais. O desafio, porém, é claro: conter o avanço dos preços sem comprometer as contas públicas — e sem depender exclusivamente da boa vontade dos estados.
