O preço do diesel segue em alta acelerada no Brasil e já acumula um salto de quase 20% desde o início da escalada da guerra no Oriente Médio. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o valor médio do litro chegou a R$ 7,26 nos postos, após duas semanas de aumentos consecutivos.
Na prática, o impacto é direto. Antes do agravamento do conflito, o diesel custava em média R$ 6,08. Desde então, a alta acompanha a disparada do petróleo no mercado internacional, que praticamente dobrou de preço no mesmo período.
O movimento ganhou força mesmo com a tentativa do governo federal de segurar os preços. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote com isenção de impostos e subsídios para reduzir o valor do combustível. Ainda assim, o efeito tem sido limitado.
Isso porque, paralelamente, a Petrobras reajustou o preço do diesel nas refinarias em mais de 11%, acompanhando a alta da matéria-prima no exterior. O resultado foi um efeito quase imediato nas bombas.
A situação expõe uma dinâmica conhecida do setor. Mesmo quando há redução de tributos, outros fatores da cadeia — como custo do petróleo, logística e margens de distribuição — acabam anulando parte do alívio esperado.
A pressão não se limita ao combustível. O diesel é a base do transporte de cargas no país. Por isso, qualquer aumento tende a se espalhar rapidamente pela economia, elevando custos de frete e impactando alimentos, produtos industriais e serviços.
Nos bastidores, o avanço dos preços também chamou a atenção de órgãos reguladores. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica abriu investigação após relatos de aumentos em diversas regiões sem repasse imediato oficial das refinarias, o que levanta dúvidas sobre possíveis distorções no mercado.
Enquanto isso, o consumidor sente o impacto direto. Em algumas cidades, o diesel já se aproxima dos R$ 9 por litro, ampliando a preocupação com inflação e custo de vida.
A tendência, segundo analistas, ainda depende do cenário externo. Caso o conflito no Oriente Médio continue pressionando o petróleo, o espaço para novas altas permanece aberto.
