Agricultor faz empréstimo para buscar água e encontra substância que pode ser petróleo no Ceará

O que era para ser a solução da falta d’água acabou se transformando em um possível achado de petróleo no interior do Ceará. O agricultor Sidrônio Moreira, morador da zona rural de Tabuleiro do Norte, no Vale do Jaguaribe, fez um empréstimo de R$ 15 mil para perfurar o solo em busca de água. No entanto, o líquido encontrado no poço era escuro, viscoso e com odor semelhante ao de óleo.

A descoberta ocorreu na localidade de Sítio Santo Estevão, a cerca de 35 quilômetros da sede do município. A família não possui abastecimento regular de água encanada e depende, em parte do ano, de caminhões-pipa. Por isso, decidiu investir na perfuração de um poço artesiano.

Durante a escavação, a aproximadamente 30 a 40 metros de profundidade, um líquido escuro emergiu. Inicialmente, houve comemoração, pois a expectativa era encontrar água. Porém, o material não tinha as características esperadas.

Posteriormente, a família coletou amostras e buscou orientação técnica. O material foi analisado com apoio do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e, depois, encaminhado para exames físico-químicos em laboratório da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), no Rio Grande do Norte.

Semelhança com petróleo e investigação da ANP

Os testes indicaram que a substância possui características semelhantes às de hidrocarbonetos encontrados na região da Bacia Potiguar, área conhecida pela produção de petróleo entre Ceará e Rio Grande do Norte. Ainda assim, a confirmação oficial depende de análise em laboratório credenciado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A família comunicou o caso à ANP em julho de 2025. Somente em fevereiro deste ano o órgão confirmou que recebeu a notificação e informou que vai apurar a situação. A agência também declarou que deve acionar o órgão ambiental competente, mas não detalhou prazos ou procedimentos.

Mesmo que seja confirmado tratar-se de petróleo, isso não significa, automaticamente, que haja uma jazida economicamente viável na propriedade. Para que haja exploração, é necessário avaliar volume, qualidade do óleo, impactos ambientais e custos operacionais. Além disso, a exploração de petróleo no Brasil depende de autorização da União e segue regras específicas, com divisão de blocos e leilões públicos.

Incerteza e necessidade urgente de água

Enquanto aguardam respostas, Sidrônio e a família continuam enfrentando o problema inicial: a falta d’água. A perfuração de novos poços se tornou mais delicada, pois há risco de contaminação do lençol freático caso haja vazamento de hidrocarbonetos.

Segundo o filho do agricultor, a prioridade sempre foi garantir abastecimento para consumo doméstico e para os animais. A possibilidade de renda futura com eventual exploração ainda é incerta e depende de decisões técnicas e regulatórias.

Por ora, o que existe é uma descoberta em análise, cercada de expectativa e também de cautela. A definição sobre a natureza do líquido e o potencial econômico da área dependerá dos laudos oficiais.