É falso que o Brasil vendeu urânio ao Irã; boato reaparece após novo conflito

Voltaram a circular nas redes sociais mensagens que sugerem que o Brasil teria vendido urânio ao Irã. A informação é falsa.

Os conteúdos ganharam força após a escalada recente do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Em publicações no X, usuários insinuam que o Brasil teria fornecido material nuclear ao governo iraniano, associando a suposta venda ao programa nuclear do país.

A alegação, no entanto, já havia sido desmentida em junho de 2025 pelo Ministério das Minas e Energia (MME) e pela Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC).

O que dizem os órgãos oficiais

Em nova consulta feita nesta semana, a ABACC reafirmou que não há qualquer registro de transferência de material nuclear do Brasil para o Irã. Segundo a agência, responsável pelo controle contábil de materiais nucleares no âmbito do acordo bilateral entre Brasil e Argentina, não consta em seu banco de dados nenhuma operação desse tipo.

O Ministério das Minas e Energia também reiterou que permanece válida a nota divulgada no ano passado. No comunicado, a pasta informou que não houve venda de urânio ao Irã e que nenhuma empresa vinculada ao governo brasileiro mantém relação comercial com o país nesse setor.

De acordo com o MME, toda a produção nacional de urânio é destinada ao abastecimento das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, no Rio de Janeiro, operadas pela Eletronuclear.

Monopólio estatal e regras internacionais

A legislação brasileira estabelece que a pesquisa, extração, enriquecimento e comercialização de minérios nucleares são monopólio da União. A exportação, quando ocorre, depende de autorização prévia e está sujeita a rígidos acordos internacionais.

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa pública, é a única autorizada a atuar na exploração e no processamento de urânio no país. Em nota anterior, a empresa informou que nunca realizou negócios com o Irã.

No passado, segundo esclarecimento oficial, houve exportação de urânio para a Argentina, com finalidade exclusiva de geração de energia elétrica e dentro dos marcos legais, com autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Contexto do boato

As mensagens ressurgem em meio ao novo confronto militar no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos declarou que um dos objetivos dos ataques seria atingir o programa nuclear iraniano. O governo do Irã nega que tenha intenção de desenvolver armas nucleares.

Apesar disso, não há qualquer evidência de envolvimento brasileiro no fornecimento de material nuclear ao país.

As informações oficiais disponíveis até o momento indicam que a alegação compartilhada nas redes sociais não procede.